O ano escolar vai ter início, nos próximos dias, para milhares de alunos de todos os níveis etários. Tempo sempre carregado de preocupações para famílias e escolas; de expectativas – e mesmo angústias – para muitos dos estudantes, sobretudo os mais novos ou os que mudam de comunidade escolar.
Novidades para este ano? Não me parecem ser as melhores. Na ordem do dia, surgem sobretudo os mega-agrupamentos, o encerramento de escolas e a obrigatoriedade da educação sexual nas escolas.
Provavelmente as instâncias governamentais educativas terão procurado benefícios com as medidas adoptadas. Resta saber com que intuitos e se, de facto, os únicos que devem beneficiar das propostas educativas – os estudantes – fruirão, de verdade, de algum benefício.
Os mega-agrupamentos permitirão uma optimização de recursos de qualidade e da sua gestão. Mas um miúdo de dez, doze, catorze anos, sentir-se-á pessoa numa multidão de milhares de alunos? E a mistura de todas essas idades será benéfica para um desenvolvimento harmonioso e progressivo da sua personalidade?
Os custos de escolas pequenas isoladas são uma sobrecarga. A falta de grupo suficientemente volumoso para uma abertura e crescimento social não é uma vantagem. Mas as distâncias a percorrer e o consequente cansaço, o desenraizamento precoce da família e do ambiente natural próprio, não serão prejuízos mais graves?
Uma informação científica correcta, a proposta de reflexão integradora da sexualidade no desenvolvimento pessoal e social são necessárias. Quem, na Escola, estará capaz de o fazer, de forma complementar com a Família? Quem o vai fazer e com que intencionalidade?
Timidamente, os nossos governantes vão começando a falar na urgência de uma cumplicidade permanente e profunda da Família com a Escola. Mas, com os miúdos fora de casa todo o dia, com a “emigração” deles dos seus ambientes normais privando-os, assim, de uma presença mais fácil e frequente dos Pais, no quadro de um eventual desencontro de valores sobre a pessoa, também da sexualidade, que cumplicidade se pode estabelecer? E a maior parte das Famílias tem condições para superar estas “distâncias” e ser parceiro efectivo no projecto educativo?
Alguém disse, um dia destes: “Menos Ministério da Educação, mais Escola! Menos Sindicato, mais Professores!” Concordo em absoluto. Apenas acrescentaria à primeira afirmação: Mais Família!
