Um olhar sobre as eleições

Opinião Os partidos estão sob observação crítica. Analistas e comentadores políticos, gestores económicos, dirigentes desportivos, agentes culturais e educativos, cidadãos responsáveis, pastores de confissões religiosas e hierarquia da Igreja, entre outros, têm-lhes dedicado uma atenção especial nesta fase de pretendida convergência de forças em prol de uma onda de optimismo na sociedade portuguesa.

De facto, é notória a movimentação partidária. A constituição das listas exige esforços persistentes. A elaboração dos programas eleitorais realistas e adequados, também. A campanha e as suas múltiplas acções de fazer passar a mensagem e convencer os eleitores, de igual forma. Por isso, merecem o nosso reconhecimento.

Esta movimentação faz perceber algumas constantes que importa realçar. Embora em jeito de simples enunciados, quero deixar aqui as que me parecem mais relevantes.

A democracia está consolidada, mas precisa de ser aprofundada e qualificada, mediante a participação efectiva dos cidadãos e a organização articulada e funcional dos “corpos intermédios”; o que exige a convergência de todos na realização do bem comum.

O bem comum coincide com a justiça social, base indispensável para a correcta igualdade de oportunidades de todos os cidadãos e expressão primordial da responsabilidade de cada um nos mais diversos âmbitos da vida social.

O nível de consumo de bens está acima das possibilidades reais da maioria da população. A economia e o seu “mal amado deficit” não terá solução à vista, sem uma educação para o consumo responsável, a sobriedade de vida, além, como é evidente, de muitos outros factores, entre os quais se destaca a produtividade a a comercialização.

A administração pública padece de uma burocracia e lentidão de serviços que faz perder imenso tempo aos cidadãos e gastar energias que são indispensáveis noutros sectores da vida nacional. Daí, também, a importância da sua reforma a todos os níveis.

O ensino/aprendizagem, proporcionado normalmente pela escola, e a situação desta dependente do Estado/Governo/Direcções Gerais, passa por uma situação crítica, dificultando a liberdade dos cidadãos e provocando uma percentagem elevada de insucesso, apesar da dedicação generosa de tantos agentes escolares. Por isso, são de uma urgência inadiável a sua revisão e qualificação.

Os candidatos a deputados, futuros membros da Assembleia da República – órgão legislativo por excelência -, são eleitos pelo povo soberano que neles delega a nobre função de, em seu nome, fazer leis adequadas e justas, atendendo ao bem de todos e não apenas de alguns. Por consequência, a necessidade de rever sua relação com os eleitores e de verificar a sua competência específica nos assuntos da “coisa pública” (República).

E, para terminar, uma interrogação simples: O mais importante para superar a crise em que mergulhámos serão mesmo as apregoadas medidas fracturantes, que alguns partidos avançam como primeiras, se alcançarem o poder?!

Georgino Rocha