Um problema “Mundial”

Ponta de Lança Começou a “desgraça do povão”!

Futebol a rodos; jogos em canal pago; calor; filas para as praias; gasolina a subir;…

Hoje, depois das disputas verbais sobre as críticas ou abordagens ao fenómeno futebol e selecção, somos tentados a um certo neo-jansenismo onde as questões retomadas então, no século XVI (graça,  livre-arbítrio e o pecado original), ganham novo impulso no início do século XXI. Isto porque a selecção é ela própria um “estado de graça” (enquanto ganha!), apesar dos seus intervenientes serem livres de optarem entre o bem e o mal (livre-arbítrio) e parecer ou ser pecado (pouco original) apontar-lhe qualquer defeito.

Naturalmente, um jogo de futebol já não é apenas um simples jogo de futebol. O que existe à volta da modalidade, ao mais alto nível, bem se vê, supera o próprio desporto: pela grandeza do espectáculo, pelo peso nas economias, pelas paixões que desperta ou sedimenta, lembra mais qualquer conquista das civilizações clássica e medieval do que um simples jogo.

É por isso que ninguém fica indiferente, todos estamos envolvidos, deixando que haja, como em tudo o que é viver em grupo, espaço à manifestação isolada que mais não é do que reacção (legítima, porventura) ao próprio futebol.

Imaginemos que, nos próximos dez anos, Portugal organizava o campeonato do mundo – depois da África do Sul, porque não? Com o investimento feito nos estádios do euro, uma competição destas seria de grande rentabilização económica para o país. Seria má ideia? Talvez não.

O problema do “nosso mundial” situa-se ao nível do desnível! Os grandes problemas estão entre o que produzimos e o que podemos gastar. E, retomando os exemplos iniciais, constatamos que o país precisa de aplicar bem os seus bens, corrigir assimetrias de toda a ordem e, por fim, acreditar que é pobre, que tem de começar novamente!

O desporto é tão importante (o futebol também) que gostar é já coisa… apenas para inteligentes!

Desportivamente… pelo desporto