Uma pedrada por semana Ai de quem cai, com razão ou sem ela, nas bocas do mundo. E mais ainda, na de alguns agentes da comunicação social. A sua vida fica, irremediavelmente, invadida e conspurcada, as presunções de delito transformam-se em certezas, as antipatias cultivam-se com esmero e propagam-se a sete ventos, posto o rótulo não mais se tira. O seu jeito, palavras e acções, tem de corresponder ao jeito de quem escreve nos jornais, tem pelouro nas tvs, vontade de subir a todo o custo, e de fazer subir amigos e patronos.
Multiplicam-se as profecias sobre o que se deseja com vítimas pelo caminho, e logo se dá como certo. A uns se canonizam, mesmo que a vida seja uma lástima, a outros se diabolizam, mesmo que, na vida presente ou passada, pouco ou nada haja que o justifique. Simpatia e interesses, ódio e má vontade, são hoje palavras e atitudes de ordem. A partir daí, vale tudo. Leiam-se com cuidado os jornais e os exemplos abundam.
Deve-se à comunicação social o lancetar de muitos tumores e o apontar de pistas para descoberta de lamentáveis poucas vergonhas. É o seu papel. Não já o ser juiz ou criadora de cenários, que ocultam uns e expõem outros. Então em política, o que aí vai.
Há políticos queimados, desde a primeira hora, pela comunicação social, que denuncia pequenas invejas e disfarçadas vinganças. Há gente a quem tudo se louva e perdoa, e gente a quem tudo se ridiculariza e critica.
Com demagogias e sorrisos homicidas caminha-se para o caos. O papel de quem escreve ou fala para o público é, sem ocultar a realidade, de favorecer o entendimento e a possível solução dos problemas, sem esquecer que os telhados de vidro não faltam, nem sequer lá em casa.
António Marcelino
