Testemunho de jovens da Diocese de Aveiro nas Missões – 4 Depois de tantas pesquisas encontrei uma organização que forma jovens para irem em missão de curta duração. Sou trabalhadora e só conseguia despender de um mês (o meu mês de férias). Fiz a minha inscrição e fiz formação durante um ano. É importante sabermos um pouco do que iremos encontrar. Ao longo deste período tivemos várias sessões de partilha, introspeção, conhecimento… Foi um ano muito importante, a nível pessoal.
Quando fizeram a distribuição das pessoas pelos diversos países, fui selecionada para ir para Moçambique, um país que eu gostava muito de conhecer. Fomos duas voluntárias para casa das Irmãs Palotinas, em Inharrime. Estas irmãs têm a seu cargo um internato com 12 adolescentes e uma escolinha para crianças dos 3 aos 5 anos.
Normalmente, de manhã, brincávamos com as crianças, partilhávamos canções, histórias, etc. Durante a tarde, íamos visitar as famílias que eram apadrinhadas pelo projeto de apadrinhamento da “one child”, da ORBIS. Fazíamos o que as irmãs nos pediam. Pintámos um muro com letras, números… As crianças adoraram. Trabalhávamos com as meninas do internato nos trabalhos de casa; fizemos atividades de afetividade e de compreensão.
Pode-se dizer que, para muitos, o nosso trabalho não é muito, mas só pelo facto de estarmos presentes, de agirmos com as nossas próprias “mãos”, esta é uma experiência muito gratificante e enriquecedora. As pessoas que nos acolhem, as irmãs, o povo, as crianças, são realmente muito queridas.
O dever de um voluntário é ir em missão e pelo menos identificar as necessidades da população para que outros próximos voluntários consigam agir de forma mais específica. O nosso mundo é tão diferente do deles: eles vivem o dia-a-dia, não se preocupam com o amanhã. Uma simples bola de encher é motivo de alegria, umas bolas de sabão são motivo para correr, saltar, ir atrás…
As doenças são muitas, as curas são poucas ou nenhumas por vezes. Levámos uma menina ao centro de saúde onde foi feito o exame de HIV (sida), e deu positivo. Foi um dia triste. E também é triste ver crianças já com filhos, sem saberem do pai, sem saber que futuro é que lhes podem dar.
Vamos procurar deixar o mundo um pouco melhor do que o encontrámos?
Alexandra Morais,
voluntária em Moçambique
