O que vemos, quando assistimos às notícias, às oito da noite, num canal de televisão? Uma proposta da realidade. Uma empresa de jornalismo diz-nos o que é importante no espaço/tempo de um dia. E diz-nos que aquela é a realidade de que fazemos parte. Uma realidade onde, regra geral, nenhum dos nossos pensamentos ou gestos diários estão registados.
Neste espectáculo, um telejornal é “dobrado” ao vivo por actores e um DJ, que substituem o discurso público pelo íntimo e descobrem formas alternativas de falar de um dia que passou.
A partir daí, nasce um outro “jornalismo”, à escala humana de um palco, onde um olhar entre dois actores pode ter a mesma importância que o fenómeno do aquecimento global.
“Se uma janela se abrisse” é o telejornal das notícias que nunca chegam ao telejornal.
O título do espectáculo nasce dos versos de Alberto Caeiro, ele próprio versão pública da intimidade de Fernando Pessoa: “Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora / E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse / Que nunca é o que se vê quando se abre a janela”.
Teatro: “Se uma janela abrisse”, no Cine Teatro de Estarreja, dia 26 de Novembro, às 22h. Bilhetes a 5 euros. Texto e encenação de Tiago Rodrigues. Interpretação de Paula Diogo, Cláudia Gaiolas, Tónan Quito, Tiago Rodrigues e DJ Alx.
