A caminhada em dinâmica sinodal concluiu a sua 3ª etapa, no dia 10 de Janeiro, uma fase dedicada ao Conhecimento da realidade dos jovens da Diocese. Com o intuito de contribuir para este conhecimento, realizou-se um inquérito, distribuído por todas as paróquias da diocese, atingindo um total de 1000 inquiridos. Foram recolhidos, deste universo, 274 inquéritos sobre os quais incidiu a reflexão, com o intuito de colher interpelações de ordem pastoral, mais do que observar, com rigor científico, o perfil dos jovens da diocese de Aveiro. Neste quadro, é de reter alguns desafios, colhidos deste universo de jovens inquiridos, cuja média de idades se situa nos 19 anos, na sua maioria (51,5%) do sexo masculino, solteiros (96%), com formação secundária (56,6%), superior (17,5%) ou de terceiro ciclo (12,4%), na sua maioria, estudantes (59,9%), para cujas decisões contribuem especialmente a família (58%) ou as circunstâncias (17,5%).
Permitirá colher linhas de desafio pastoral constatar que 95,3% dos inquiridos afirmam ter referências cristãs, considerando-se 68,6% cristãos activos, 13,9% cristãos não praticantes, 9,9% cristãos para quem as opção religiosa não interfere com a sua vida e 2,9% católicos comprometidos. Este perfil é significativo quando cruzado com a questão sobre quem é Jesus Cristo. Dos inquiridos, 65,7% consideram-n’O Deus ou Filho de Deus, sendo que os restantes 34,3% olham para Jesus Cristo como um homem bom, um revolucionário, um idealista, um homem como os outros, um superstar, ou outras opções. Pastoralmente, será de encontrar aqui um desafio sobre o tipo de formação catequética proporcionada e que dissocia a figura de Jesus Cristo da Sua missão salvífica e da Sua condição humana e divina. Esta interpretação é legítima, dado que estamos numa universo de inquiridos em que 95,3% se afirmam como cristãos.
Outro desafio pode ser colhido do quadro de respostas à pergunta sobre o que é a Igreja. É de sublinhar que, neste quadro, 31,4% afirmam a necessidade de a Igreja se renovar. Naturalmente que importa discernir, posteriormente, o conteúdo desta renovação, mas o desafio é claro e pode encontrar já contornos concretos na leitura do quadro sobre como vêem as paróquias, do qual é possível colher a ideia fundamental de que estas têm urgência em abrir-se aos desafios que os novos tempos colocam. Retenham-se deste quadro, os seguintes dados: sendo que 46,7% consideram as paróquias como dinâmicas e acolhedoras, ou como comunidades vivas, há, no entanto, 33,6% que observam que nas paróquias há grupos fecha-dos, não há participação dos paroquianos e não estão abertas aos jovens e aos seus problemas e ideias.
Por fim, deixa-se uma última interpelação sobre as opções de vida. Continuando a considerar que o universo dos inquiridos é composto por 95,3% de cristãos, é significativo que 27,1% dos inquiridos adoptem condições de vida tidas como não compagináveis com a coerência cristã, como sejam o casamento à experiência (3,3%), a união de facto (2,9%), o casamento civil (5,8%), ou outra (12,4%).
Luís Silva
