Uma casa para Deus habitar

À Luz da Palavra – IV Domingo do Advento – Ano B A liturgia deste Domingo aproxima-nos cada vez mais à festa que temos vindo a preparar ao longo deste Advento: o nascimento de Jesus. Depois de termos tido João Baptista como exemplo de quem prepara os caminhos do Senhor, o evangelho de Lucas convida-nos a olhar para Maria e com ela viver em clima de Advento. Ela acreditou na promessa de um Salvador e soube esperar a sua vinda, mas esperou-O de forma especial enquanto O levou no seu seio.

Lemos, na primeira leitura, que o rei David quer construir uma casa para a Arca de Deus, mas Deus diz-lhe através do profeta Natã: “Pensas edificar um palácio para Eu habitar?” (2Sam 7, 5). Por vezes, pensamos que agradamos a Deus porque construímos muitos projectos, mas na realidade o que Ele quer é inserir-nos nos Seus projectos. Pode até ser que estejamos já envolvidos no que é dele e que isso não seja, por nós, suficientemente valorizado. Outras vezes, porém, encontramo-nos a construir a nossa vida à nossa medida e a tentar incluir a Deus dentro dos nossos parâmetros, quando Ele é sempre surpreendente e é mais do que podemos imaginar. Foi tão surpreendente que a casa que construiu para o rei David – ou seja, a sua descendência – foi Ele mesmo: o Messias, cujo reino permanecerá eternamente (cf. 2Sam 5, 16).

Deus vem ao encontro da humanidade para a fazer mais humana e mais divina. Ele vem viver com os seres humanos e para isso, bate à porta de uma mulher simples e humilde de Nazaré. Realmente os seus caminhos não são os nossos caminhos como diz o profeta Isaías (cf. Is 55, 8)! E hoje, continua a escolher caminhos de simplicidade e humildade para continuar a manifestar o seu Amor. Mas será que estamos preparados para os reconhecer? Devido ao nosso orgulho e à nossa tendência a querer ser mais pelo que fazemos e temos, não é fácil acreditar que Deus se quer manifestar na simplicidade do que somos: homens e mulheres muito amados por Ele e capazes de amar como Ele.

Maria escuta a saudação do mensageiro de Deus e descobre esta maravilha de ser alguém com quem Deus está. “Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo.” Também nós somos convidados a experimentar que Deus está connosco, está por nós. E “se está por nós quem estará contra nós?”, como diz S. Paulo (cf. Rom 8,31).

A perturbação de Maria é aquela de quem se sente pequeno diante de Deus. No entanto, ela continua a escutar o que Ele lhe tem a anunciar: “Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus.” Deus quis precisar de uma mulher, do seu ser, do seu corpo para revelar plenamente o Seu amor. Ele mesmo escolheu-a, preparou uma casa para Ele habitar e assim realizou o que tinha prometido a David: “O Senhor anuncia que te vai fazer uma casa. (…) A tua casa e o teu reino permanecerão diante de Mim eternamente e o teu trono será firme para sempre.” (2 Sam 7, 13.16) É o próprio Jesus que permanece hoje na vida da Igreja e de cada cristão que O acolhe.

A segunda leitura, por sua vez, é um convite a louvar a Deus por se ter manifestado plenamente em Jesus Cristo. À medida que nos aproximamos da celebração da Sua vinda deve crescer em nós a acção de graças e a vontade de corresponder a tão grande amor. Quando amamos e nos entregamos à maneira de Jesus, quando tentamos viver segundo o seu evangelho, estamos a responder ao que Ele nos manifestou e deixamo-nos conduzir “à obediência da fé” (cf. Rm 16, 26).

Cada um de nós está chamado a “conceber” e a “dar à luz” a Cristo, ou seja, que do nosso ser, da nossa maneira de viver e de estar no mundo, possa “nascer” o Amor de Deus e a Sua Bondade. Que como Maria, com a sua disponibilidade e confiança, possamos dizer: “Faça-se em mim segundo a tua palavra”. Somos escolhidos para ser neste mundo manifestação de Deus, expressão do Seu amor por cada ser humano. Deixemo-nos encher do Seu Espírito que vem sobre nós!

Leituras: 2 Sam 7, 1-5.8b-12.14a.16; Salmo 88 (89), 2-5.27.29; Rom 16, 25-27; Lc 1, 26-38

Filipa Amaro

Fraternidade Missionária Verbum Dei