Uma homenagem em tom de agradecimento

Colaboração dos Leitores – Hospital de Aveiro e APCDI Nestes tempos que são os nossos, em que muitos nos querem fazer crer que a eutanásia e o eugenismo são rumos sem travagem possível, os gestos e sinais de que há um outro horizonte, ainda humanizado, merecem que lhes reservemos um lugar especial na nossa memória.

As últimas semanas, durante as quais o hospital de Aveiro cuidou, com enorme dedicação, a nossa tia Alice, portadora de deficiência mental, em consequência de doença de infância, deram-nos a certeza de que todos os que a acompanharam, nos dias e horas finais de um cancro de estômago, que, por momentos, lhe retirou a serenidade de rosto que o tratamento da dor lhe devolveu, souberam associar, com mestria e humanismo, a técnica a um grande sentido de cuidado, olhando para o rosto de uma pessoa com deficiência como um outro alguém. Um alguém, com um nome próprio, sempre dito com a ternura que os diminutivos concedem, recordando que, mesmo deficiente, o ser humano é pessoa, digna de respeito e dedicação.

Esta dedicação, sempre encontrada em cada profissional de saúde que acompanhou as últimas horas da ‘Licinha’, no Hospital distrital de Aveiro, sentiramo-la já no tempo passado na Associação Pró Cidadão Deficiente Integrado, de Pessegueiro do Vouga, onde o ambiente de família e estreita ligação à comunidade envolvente, garante um cuidado verdadeiramente integrador de cada pessoa com deficiência, contribuindo, igualmente, para a mudança de mentalidades, que olhavam para a pessoa com deficiência como um membro de família a esconder dos olhos curiosos ou julgadores.

No Hospital Distrital de Aveiro e na APCDI, sentimos que a ‘Licinha’ foi acolhida como um de nós, um entre nós…

Para quantos a conheceram de perto, não será estranha a certeza que temos de que o carinho que lhe foi dedicado foi por ela percebido, mesmo que as suas palavras não o soubessem expressar… Os seus olhos tudo traduziam, num idioma muito seu, que os menos argutos tendem a desconsiderar e nem ousam interpretar.

A todos os que contribuíram para que o idioma da ‘Licinha’ fosse traduzindo sentimentos de felicidade, deixamos o nosso mais sentido agradecimento e homenagem.

Luís Silva e família