Revisitar o Vaticano II Voltamos ainda ao Decreto conciliar Christus Dominus, para delinear a missão do Bispo e a correspondente atitude do povo de Deus que lhe é confiado.
Diz ainda o n. 16: “Para poderem atender melhor ao bem dos fiéis, segundo a condição de cada um, procurem conhecer integralmente as suas necessidades, dentro das condições sociais em que vivem, empregando os métodos adaptados, sobretudo o inquérito social. Mostrem-se solícitos para com todos, seja qual for a sua idade, condição e nacionalidade, quer sejam naturais da terra, quer sejam estrangeiros ou peregrinos”.
E o n.º 17 complementa: “As formas de apostolado devem adaptar-se convenientemente às necessidades actuais, tendo presente as condições humanas, não só espirituais e morais, mas também sociais, demográficas e económicas. Para se conseguir com eficácia e fruto este fim, contribuem imenso os inquéritos sociais e religiosos, realizados por centros de sociologia pastoral, que muito se recomendam”.
O conhecimento da realidade diversificada à qual dirigimos o nosso esforço evangelizador é indispensável. Bem como o tratamento equitativo dessa diversidade. O esforço prévio (e concomitante) de conhecimento não dispensa recursos “técnicos”. Mas exige, sobretudo, a atenção e cooperação de todos, para que o Bispo possua, partilhe e tenha em consideração o tecido humano da sua diocese.
Depois, é fundamental aceitar que a diversidade exige propostas diversas de caminhada, graus diferenciados de exigência, apoios distintos que estimulem. Tal reclama uma criatividade pastoral fundamentada, que planifique e avalie, que envolva de forma explícita a própria realidade humana no seio da qual se desenvolve.
Também aqui temos de considerar que não somos tão exigentes como seria desejável, tão conscientes como é indispensável. Mas, sobretudo, somos demasiado uniformistas e pouco disponíveis para partilhar e ajudar. Mesmo os esforços de serviço mais genuíno e dedicado, ficam-se muitas vezes na auto-consolação de quem neles está envolvido, por uma evidente falta de sentido da comunhão diocesana. Não damos ao Bispos a possibilidade de conhecer e servir melhor. Regateamos aos colegas, às paróquias vizinhas, o que poderia ser um estímulo de renovação.
E é bom recordar que há paróquias nesta diocese onde, por exemplo, a Catequese regular se iniciou com a colaboração de Paróquias vizinhas, mesmo quando se não falava da comunhão das Igrejas.
Querubim Silva
