União?… Difícil!…

1 – As palavras do senhor Presidente da República sobre as suas reformas desencadearam uma onda de reações e protestos, tão surpreendentes como injustificados. E isto porque, se é verdade que os nossos estômagos são todos iguais, isto é, se temos todos necessidades básicas similares, certo é também que as famílias não vivem as mesmas circunstâncias, o que altera as reais necessidades.

Não concordamos, de modo algum, com a desigualdade de sacrifícios que os portugueses suportam. Mas vai para aí tanta hipocrisia! Quantas das vozes que se levantam ousariam divulgar os seus ganhos mensais? Luxos, pompa, contas ocultas!… Se tudo viesse à luz do dia!… Ser solidário, partilhar de verdade, reclama uma estrutura interior que se constrói com esforço e sob a Luz que nos ultrapassa!

2 – O Presidente da Nigéria prometeu que os terroristas seriam isolados e eliminados. O Santo Padre apela continuamente ao respeito pela pessoa humana, pela vida, respeito que inclui a possibilidade de viver em liberdade a sua religião. O senhor Patriarca de Lisboa recorda o valor do martírio, sem deixar de dizer que o respeito pela liberdade religiosa é um combate civilizacional.

E onde está a chamada Comunidade Internacional, face a essa como a iguais violências em tantas partes do mundo? Enquanto não for a pessoa humana, a sua dignidade, a sua liberdade, o critério último dos projetos políticos, económicos e sociais, tudo será jogo de interesses e hipocrisia política. Concertos e conversações, planos de paz ou presenças militares “pacificadoras”, roteiros de “reconciliação… não passarão de entretenimentos e mezinhas, que apenas arrastarão e agravarão os problemas.

Sabemos que há homens e mulheres absolutamente comprometidos em processos de paz, de alma e coração e com os mais nobres princípios e convicções. Mas as teias da malícia, os tais filhos das trevas, não dormem, nem deixam de subterraneamente minar esses esforços, porque lhes não interessa tal antropologia.

3 – Acabámos uma Semana de Oração pela Unidade das Igrejas Cristãs. E, graças a Deus, podemos entre nós respirar uma atmosfera de aproximação, de cooperação. Múltiplas iniciativas de oração e reflexão, ao longo destes dias, foram disso prova clara.

Todavia, o caminho seguro da unidade que o Senhor Jesus quer passa essencialmente pela conversão de coração. Quem está no coração de Cristo nunca estará dividido de ninguém! Quem busca esta união com o Senhor Jesus não terá dificuldade em superar questões disciplinares, nem sequer discrepâncias doutrinais. E encontrará modo de ser fiel à autêntica Tradição Apostólica, numa diversidade de expressões inculturadas na variedade dos tempos e dos lugares.