Uma pedrada por semana As comemorações do presente, com história própria, têm a sua luz quando delas se faz memória. Celebram-se os 50 anos da inauguração do Monumento de Cristo Rei, esse Cristo, majestoso e fraterno, de braços abertos, que abraça Portugal a partir da capital, é um sinal bem eloquente da fé de quem o ergueu há meio século.
Foi um voto dos bispos portugueses, expressando a sua fé, união e gratidão. Ao mesmo tempo, a sua confiança em relação ao futuro. O povo cristão, de norte a sul, aderiu de imediato. As dioceses, tempos antes, tinham sido expropriadas dos seus bens e, no seu conjunto, encontravam-se a braços com a construção dos seus seminários – os que existiam antes foram transformados em quartéis e sedes de outros serviços públicos. A Igreja em Portugal não tinha outra riqueza para construir o Monumento a Cristo Rei senão a fé do povo, traduzida sempre na generosidade dos mais pobres.
Foi sempre a Igreja pobre que fez obras ricas de sentido e dimensão. Estávamos num tempo em que os tostões eram suados, mas em que a fé transportava montanhas. Os bispos acreditaram. O povo, das crianças aos adultos, respondeu, acreditando também. O governo de então, não ajudou coisa que se visse, mas não dificultou.
Anos difíceis, mas cheios de esperança que, em 1959, viram coroado o esforço de todos.
A memória do que então se fez e de que agora tomamos consciência, pode abrir caminhos ao futuro.
A união entre os bispos, a comunhão destes com o provo crente, a convicção de que não se deve depender dos que mandam, edificaram o Monumento a Cristo Rei. Pertença da Igreja e da Nação, grito de fé em Cristo, único Redentor e Salvador, certeza de que a Igreja, em Portugal, se for unida e se se apoiar na fé e dons espirituais dos seus membros, mesmo em tempos novos de um laicismo verrino, tem força e pode ter determinação para ser um sinal diferente de tantos outros, que se alcandoram e querem dominar, mas cuja consistência vai pouco além da flor que depressa murcha.
O Monumento estará sempre por completar. A missão da Igreja não é levantar estátuas, mesmo que seja a Jesus Cristo, mas empenhar-se, de modo permanente e em comunhão de fé e esforços, em edificar o Reino de Deus na sociedade humana, um Reino de amor, verdade, liberdade, justiça e paz.
