Universidade de Aveiro: inovadora no passado, virada para o futuro

Talvez o pioneirismo da UA se deva a um preconceito inicial. Contou o reitor da Universidade de Aveiro, Manuel Assunção, que Sottomayor Cardia, ministro da Educação em 1978, se interrogou: “O que faz ali uma universidade?” “Ali” queria dizer, perto de Coimbra e perto do Porto. “Quiçá foi o desafio original que sustentou a forma do nosso caminho”, sugeriu o reitor da UA, na última das conferências da Primavera, na noite de 27 de Maio, na paróquia da Gafanha da Nazaré.

Nos 37 anos de existência, a Universidade de Aveiro (UA) esteve sempre preocupada com “a inovação, o pioneirismo, a oferta de futuro”. Noutros tempos, estas qualidades mostraram-se em cursos inovadores como os de Electrónica e Telecomunicações, de Cerâmica e Vidro, Ambiente, Música e Design – inovadores no panorama nacional.

Hoje, passam igualmente por novos cursos, como o de Gerontologia (cuidado de idosos) e de Técnico Superior de Justiça, por uma ligação mais forte entre ensino e mundo laboral, pela criação de cursos em horário pós-laboral (no próximo ano abre o de Ambiente), pela aposta no desenvolvimento regional (caso da colaboração com a CIRA – Comunidade Intermunicipal de Aveiro), pelos cursos tecnológicos nas escolas secundárias ou pela promoção de voluntariado de alunos e professores. Na linha do voluntariado, Manuel Assunção falou do Programa Proximus, um projecto que coloca alunos da UA a morar em cada de idosos em troca de companhia e apoio em pequenas tarefas.

A UA não pára. “Fizeram-se coisas bonitas, mas não chega”, disse Manuel Assunção. A UA tem de “melhorar a eficiência energética, acolher todos, incluindo os portadores de deficiência, levar à fruição da biodiversidade”.

Um mundo marcado pela globalização, que é a “diminuição das barreiras em tudo”, pela lógica do imediatismo, pelas alterações geopolíticas (“a liderança está a passar para a China, o Brasil e a Índia”) exige “maior participação dos cidadãos”, mais capacidades para exercer a liberdade (várias línguas, saber comunicar com vários públicos, saber tomar decisões), ter educação em ciência (“facilitadora da cidadania”). A UA – realçou o reitor – quer contribuir para o desenvolvimento nacional, transferindo tecnologias para fora da universidade, sendo factor benéfico para a competição das empresas, dando diferentes respostas a diferentes públicos. Com formação presencial, pós-laboral, em “part-time” e à distância, a instituição possibilita que cada um “possa construir o seu próprio percurso individualizado de formação”.

J.P.F.