Helena Nazaré justificou a mudança de modelo de gestão para fundação pública de direito privado como forma de responder em tempo útil às exigências da sociedade. Os estatutos da UA estão a ser revistos
A Universidade de Aveiro vai adoptar um novo modelo de governação para responder aos desafios da globalização. A convicção foi manifestada pela Reitora da instituição, Helena Nazaré, na abertura do ano académico, que decorreu na tarde de segunda-feira, 22, com a presença do Ministro da Economia e Inovação, Manuel Pinho.
A globalização tem “profundo impacto nos Sistemas de Ensino Superior”, disse Helena Nazaré, porque implica um “modelo de criação de riqueza” que depende “da produção de conhecimento e sua aplicação” e “se sustenta na qualificação e competência dos activos”.
Esta realidade leva à “modificação do papel da universidade, que deve tornar-se cada vez mais abrangente”. Se antes as universidades formavam “elites que viriam a governar” o país e a seguir passaram a ser locais “da criação de saber”, hoje “é claro que ambas as funções só fazem sentido em articulação com a sociedade” e só através da “associação com outras instituições públicas e privadas, como autarquias e empresas, é possível introduzir inovação nos vários sectores de actividades e obter vantagens competitivas”, afirmou Helena Nazaré.
Fundação pública
de direito privado
A aceleração do ritmo da sociedade implica uma gestão mais ágil da universidade. “Se até aqui se considerava o modelo de governo partilhado e muito descentralizado, como o mais adequado para as universidades, verifica-se que o mesmo tem conduzido a uma menor capacidade de resposta, em tempo útil, às exigências da sociedade”, afirmou a Reitora, o que implica “uma profunda transformação nos modelos de governo das instituições”. No entanto, os métodos de gestão empresarial não servem para a universidade. “A organização de uma universidade não é idêntica à de uma empresa porque a estrutura hierárquica necessária à produção de conhecimento tem que ser distinta; e o seu fim não é o lucro”, remata.
É neste contexto que surge a opção de transformar a UA numa fundação pública de direito privado. A UA está a rever os seus estatutos e tem vindo a discutir com o Ministério Ciência e Tecnologia e Ensino Superior o novo enquadramento jurídico. Mas há incertezas sobre o novo modelo. “Tanto quanto se sabe, não existe, ainda, uma definição clara, em termos jurídicos, do que é uma fundação pública de direito privado. O que não deve significar rejeição liminar da bondade de tal opção. Aprofunde-se, pois, o significado do conceito”, afirmou Helena Nazaré.
Na sessão de abertura, pontuada por momentos musicais, foram atribuídas bolsas aos melhores alunos e intervieram Ricardo Ferreira, da Associação Académica, Zeinal Bava, da PT, e o ministro Manuel Pinho.
Zeinal Bava
“A inovação é principalmente uma atitude do indivíduo”
“A inovação é hoje o centro de gravidade da política”, afirmou Zeinal Bava na lição de abertura, “e o factor crucial para o sucesso e o aumento da produtividade”. Para o presidente executivo da PT, a inovação depende de condições em quatro níveis, o país, a região, a instituição e o indivíduo, mas este último é o mais importante, porque se trata principalmente de uma “atitude”. “Como costumo afirmar, só não há trabalho para quem não quer trabalhar e só não há oportunidades para quem não as procura”, disse.
Zeinal Bava considerou que Portugal adoptou as medidas certas para produzir inovação, nomeadamente as do Plano Tecnológico e, entre estas, a distribuição massiva de computadores.
Falando em Aveiro, onde a PT tem o principal centro de investigação, a PT Inovação, considerou que a cidade tem os dois T, “a Tecnologia e a Tolerância”, que podem atrair o terceiro, o Talento”. Lembrou ainda que o Sapo, uma das marcas da PT, foi criado na UA e que a PT, no mundo, tem 60 milhões de clientes que utilizam uma plataforma desenvolvida na cidade da Ria.
Manuel Pinho
“A energia é o maior desafio da nossa geração”
Manuel Pinho considerou a questão da energia e do ambiente “o maior desafio da nossa geração”. O Ministro da Economia e da Inovação elencou os esforços que o país tem vindo a fazer na rentabilização do uso da energia e principalmente na produção de energias renováveis de forma a ultrapassar as metas internacionais. “Em 2020”, disse, “um terço da energia consumida em Portugal será proveniente das energias renováveis”. Portugal “não produz carvão, petróleo ou gás, mas tem água, vento e sol”, sublinhou, adiantando que somos o país que mais tem investido em energias renováveis, o que tem atraído os meios de comunicação internacionais. “Perdi a conta aos políticos estrangeiros que já levei a ver a maior central fotovoltaica [em Serpa, Alentejo]. Amanhã mesmo [ou seja, dia 23 de Setembro], a partir de Leixões, vou com seis televisões, incluindo a CNN, ver o primeiro projecto comercial de produção de energia a partir das ondas”, realçou. O parque da Aguçadoura vai gerar electricidade ao largo da Póvoa do Varzim.
