Estarreja O Hospital Visconde de Salreu irá centrar a sua actividade “na cirurgia de ambulatório, podendo incluir a laparoscópica, no internamento de medicina e de cirurgia, nos cuidados continuados, serviços de apoio que estenderá aos centros de saúde de Estarreja e Murtosa, no âmbito da patologia clínica, da medicina física e reabilitação e de consultas de ambulatório para um número acrescido de especialidades, para além das já existentes”, refere o protocolo entre a Câmara Municipal de Estarreja e a Administração Regional de Saúde do Centro (ARS do Centro), cuja sessão de assinatura contou com a presença do Ministro da Saúde, Correia de Campos.
Para satisfazer esse objectivo, serão assinados “protocolos com outras instituições hospitalares, nomeadamente com inclusão de obstetrícia / ginecologia, pneumologia, pediatria, fisiatria e de outras especialidades que o Hospital, dentro do seu perfil, entenda no futuro serem importantes para o seu desempenho”. Para isso, “serão progressivamente realizadas as remodelações físicas e funcionais que se considerem necessárias”.
Esse possível aumento de valências do hospital estarrejense surge na decisão ministerial de encerrar o serviço de urgência daquele estabelecimento de saúde entre as 24 e as 8 horas. O Hospital “adaptar-se-á de modo a acomodar, nas suas actuais instalações da urgência, uma consulta não-programada para casos agudos do foro ambulatório, garantindo permanentemente o acesso aos MCDT’s e, se for caso disso, o respectivo internamento”, lê-se no protocolo agora assinado, o qual especifica que essa consulta, “que deverá ser implementada até final de 2007, funcionará sob a responsabilidade do Centro de Saúde, todos os dias do ano e em horário alargado das 08h00 às 24h00”.
Os casos que ocorram durante a noite serão encaminhados para o Hospital Infante D. Pedro, de Aveiro, ou para o Hospital de S. Sebas-tião, de Santa Maria da Feira, segundo o modelo de referenciação a acordar. Até ao final do corrente ano, o serviço de socorro e transporte pré-hospitalar dos doentes urgentes e emergentes será reforçado com uma ambulância INEM com TAE, de tripulação profissionalizada, sob coordenação do INEM e em colaboração com os Bombeiros Voluntários de Estarreja. A par disso, será criado um heliporto.
Ainda de acordo com o protocolo agora assinado, a ARS do Centro, em colaboração com a câmara municipal, irá requalificar as Extensões de Saúde de Veiros, de Canelas e de Fermelã. Igualmente, a ARS do Centro e a Unidade de Missão dos Cuidados de Saúde Primários promoverão a criação de Unidades de Saúde Familiar na área de atracção do Hospital, de modo a melhorar a assistência dos utentes na rede de cuidados de saúde primários, inclusive dos casos agudos não programados. Durante 2008, a ARS do Centro desenvolverá os meios de telemedicina para apoio do Hospital e dos centros de saúde da sua área de atracção.
C.F.
“Não desistiremos”, diz José Eduardo Matos
Apesar de assinar o protocolo, o presidente da Câmara Municipal de Estarreja, José Eduardo Matos, dirigindo-se ao Ministro da Saúde, afirmou “já há muito percebeu que defendemos a criação de uma Unidade Básica de Urgência em Estarreja. E de uma Polivalente em Aveiro. Não desistiremos”.
O autarca foi ainda mais longe, ao dizer: “e quem sabe, não fará sentido vir a criar-se o Centro Hospitalar de Ovar / Estarreja, servindo estes 100.000 habitantes, que se estendem à Murtosa e a Aveiro (S. Jacinto), cujos anseios também defendemos. Com efeito, porque conhecemos, duvidamos muito legitimamente da capacidade de resposta de Aveiro. Veremos a Feira”.
Por tudo isso, o edil de Estarreja alertou Correia de Campos, ao dizer: “cá estaremos semestralmente a avaliar a bondade desta opção governamental”.
Ministro visitou Casa Museu Egas Moniz
Na visita à Casa Museu Egas Moniz, José Eduardo Matos convidou o ministro Correia de Campos a apoiar essa casa museu e a “possibilitar a consolidação dos projectos que aqui se inspiram. Da beneficiação e requalificação da casa e da circundante Quinta do Marinheiro; de um espaço Ciência Viva, na área da Medicina; da potenciação do novo Centro de Documentação; da articulação com Cursos de Saúde / Medicina. Estamos perante o único português Prémio Nobel da Medicina”.
Depois de perguntar “o que tem feito o Governo português pela preservação e assumpção da sua memória, vida e obra”, o autarca desafiou “o actual Ministro da Saúde a fazer a diferença”, já que “são os espíritos como os de Egas Moniz que devem ser multiplicados. E temos tão poucos”.
Em resposta, Correia de Campos afirmou que o seu ministério “tem plena consciência da importância deste museu e da necessidade de o tornar mais disponível, mais acessível e vivo”.
