Vaticano em festa pelos aniversários do Papa

“A liturgia não deve servir para falar do próprio eu, nem de si mesmo; todavia, a própria vida pode servir para anunciar a Misericórdia de Deus”, afirmou Bento XVI

São dias de festa os que se vivem agora no Vaticano, por ocasião do 80.º aniversário natalício de Bento XVI e do segundo da sua ordenação papal. Joseph Ratzinger nasceu a 16 de Abril de 1927 em Marktl am Inn, na Baviera, e foi eleito Papa no dia 19 de Abril de 2005.

No Domingo, na celebração eucarística a que presidiu na Praça de São Pedro, perante milhares de fiéis, o Papa assegurou que as “trevas que ameaçam o mundo” só podem ser vencidas pelo “poder da Misericórdia”. Posteriormente, na recitação do Regina Caeli, pediu que este “dom de Deus” seja dado às “nações onde domina a opressão, o ódio e a tragédia da guerra”.

A homilia, no Domingo da Divina Misericórdia, acabou por falar do acontecimento que todos queriam celebrar, os 80 anos do Papa: “Em especial nestes dias, iluminados particularmente pela luz da Divina Misericórdia, dá-se uma coincidência que é para mim significativa, posso olhar para trás, para os meus 80 anos de vida”.

“Estamos aqui reunidos para reflectir sobre o cumprimento de um não breve período da minha existência. Obviamente a liturgia não deve servir para falar do próprio eu, nem de si mesmo; todavia, a própria vida pode servir para anunciar a Misericórdia de Deus”, disse Bento XVI.

O Papa agradeceu a presença de várias individualidades civis e políticas e também de uma delegação do Patriarcado Ortodoxo de Constantinopla. Bento XVI agradeceu ainda a todos os que foram à Praça de São Pedro para o “apoiar com as suas orações”, afirmando que “a sua fé e o seu amor” o ajudam a realizar o seu ministério e que “são indulgentes com a minha fraqueza”.

“Com o peso acrescentado pela responsabilidade, o Senhor também trouxe uma nova ajuda à minha vida. Repetidamente, vejo com alegria reconhecida como é grande o número daqueles que me sustêm com a sua oração. Dos que com a sua fé e com o seu amor me ajudam a realizar o meu ministério, dos que são indulgentes com a minha fraqueza, reconhecendo também na sombra de Pedro a luz benéfica de Jesus Cristo. Por isso, gostaria nesta hora de agradecer de todo o coração ao Senhor e a todos vós”, afirmou.

O Papa passou em revista várias fases da sua vida e manifestou gratidão por ter podido fazer a experiência do que significa “família”. “Pude fazer a experiência do que quer dizer paternidade, de tal modo que a palavra sobre Deus como Pai se me tornou compreensível a partir de dentro; tendo como base a experiência humana abriu-se-me o acesso ao grande e benévolo Pai que está nos céus”, assinalou.

Evocando a sua ordenação sacerdotal, em 1951, no dia de São Pedro e São Paulo, Bento XVI recordou a importância de ter escutado, nesse momento, da boca do Bispo, no momento em que lhe era confiado o ministério da reconciliação, as palavras de Jesus “Já não vos chamo servos, mas amigos”.

Na Missa em que assinalou o seu aniversário, o Papa não esqueceu o seu predecessor. João Paulo II “viveu sob dois regimes ditatoriais e conviveu com a pobreza, a necessidade e a violência”, disse Bento XVI para quem o Papa o polaco viveu “uma profunda experiência das trevas que ameaçam o nosso mundo”.

Amanhã, dia 19 de Abril, data em que Bento XVI completa dois anos de pontificado, será também uma jornada de festa no Vaticano.

Cardeal Angelo Sodano assumiu a voz dos católicos

Antes da celebração, o Cardeal Angelo Sodano, Decano do Colégio Cardinalício, leu uma mensagem dirigida ao Papa. “Com a caridade da verdade, ajude-nos a seguir fielmente o Evangelho de Cristo. Com a caridade da graça, possa Vossa Santidade alimentar sempre a nossa vida espiritual. Com a caridade do bom Governo, ajude-nos a viver na Igreja com ordem e concórdia”, referia o texto.

“Reunimo-nos hoje junto do altar do Senhor para Lhe agradecer os dons concedido a Vossa Santidade durante a sua vida e por tê-lo dado, há dois anos, como guia seguro do nosso caminho. Os 80 anos do pai tornam-se assim motivo de alegria espiritual para todos os seus filhos que vieram hoje em grande número a esta praça histórica, para exprimir os sentimentos da sua devoção comum”, disse o Cardeal Angelo Sodano.