Vaticano não pode trocar tesouros por comida para África

Se o Vaticano vendesse os tesouros, muitas missões deixavam de receber apoios

«Trocar os tesouros do Vaticano por comida para a África». Com esta mensagem, um internauta espanhol abriu um espaço no Facebook (rede social na Internet), a que rapidamente aderiram milhares de membros.

O presidente do Conselho Pontifício “Cor Unum”, organismo da Santa Sé responsável pela orientação e coordenação entre as organizações e as actividades caritativas promovidas pela Igreja Católica, Cardeal Paul Josef Cordes, esclarece que, independentemente do aspecto provocador ou ideológico da proposta, o Papa não poderia aplicá-la, pois o direito internacional impede-o de tal.

Em declarações à agência Zenit, o Cardeal alemão lembra que já ouve este tipo de propostas há 40 anos.

Segundo este responsável, a Igreja “tem a tarefa de conservar as obras de arte em nome do Estado Italiano. Não pode vendê-las”.

“Em todas as nações há medidas para a defesa das obras de arte, porque o Estado deve mantê-las”, declara D. Cordes, recordando que os bens da Santa Sé também fazem parte da história cultural da Itália.

O Cardeal recorda, por outro lado, que sem a obra da Igreja Católica, em parte financiada pelas receitas das visitas aos tesouros, o sistema de saúde e educativo de algumas regiões da África não existiria. “Presidentes africanos reconhecem-no quando vêm encontrar-se com o Papa”, explica.