Bento XVI recebeu notícia com «alegria» e assegura empenho no diálogo com os ortodoxos russos, sob a liderança de Cirilo I
Bento XVI manifestou a sua “alegria” perante a notícia da eleição do metropolita Kirill como novo Patriarca ortodoxo de Moscovo e de todas as Rússias.
Numa mensagem de felicitações, o Papa assegura a sua “proximidade espiritual” a Cirilo Kirill e reafirma “o compromisso da Igreja Católica na colaboração com a Igreja Ortodoxa russa para um testemunho cada vez mais claro da verdade da mensagem cristã e dos valores que podem acompanhar o mundo de hoje ao longo do caminho da paz, da justiça e do cuidado amoroso pelos marginalizados”.
“Peço ao Senhor que vos conceda a abundância da sabedoria para discernir a sua vontade, perseverar no serviço amoroso às pessoas que estão confiadas ao vosso ministério patriarcal e sustentar a vossa fidelidade ao Evangelho e às grandes tradições da ortodoxia russa”, escreve o Papa.
“Possa o Omnipotente abençoar os vossos esforços para manter a comunhão entre as Igrejas ortodoxas e procurar a plenitude da comunhão que é o objectivo da colaboração e do diálogo católico-ortodoxo”, acrescentou.
Cirilo já se encontrou com Bento XVI logo após a eleição pontifícia, em 2005, e posteriormente em Maio de 2006 e Dezembro de 2007, no âmbito das suas funções como responsável pelas relações exteriores do Patriarcado de Moscovo. A sua eleição abre boas perspectivas em relação a uma viagem do Papa à Rússia, o que constituiria um momento inédito na história das duas Igrejas.
Numa primeira reacção a esta eleição, o Conselho Pontifício para a promoção da unidade dos cristãos lembrava que com o novo Patriarca têm existido “relações fraternas desde há muitos anos”.
“Esperamos pode continuar o caminho comum de aproximação que já iniciámos, sem perder de vista as dificuldades que ainda permanecem, mas dispostos e desejosos de cooperar no campo social e cultural”, acrescenta a nota oficial.
Também o porta-voz do Vaticano, Pe. Federico Lombardi, expressou a sua satisfação diante desta eleição, fazendo “votos ao novo Patriarca de que possa desempenhar do melhor modo possível o seu importantíssimo ministério”.
O Pe. Lombardi recordou que o Patriarca Cirilo é uma pessoa bem conhecida e estimada no Vaticano, cultivando há muito tempo as relações com as outras Igrejas.
“Esperamos que possa realizar um serviço frutuoso e continuar a aprofundar o caminho de conhecimento recíproco e colaboração, para o bem da humanidade”, concluiu o director dos serviços de informação do Vaticano.
Patriarca foi entronizado no Domingo
O Patriarca de Moscovo foi entronizado no Domingo, 1 de Fevereiro no Concílio da Igreja Ortodoxa Russa, na Igreja de Cristo Redentor, em Moscovo. O 16.º Patriarca dos ortodoxos russos vai liderar uma igreja com 400 milhões de fiéis. Eleito com 72 por cento dos votos dos 700 delgados (clérigos e leigos), espera-se que Cirilo dê um novo rumo à Igreja Ortodoxa Russa.
Com o fim do comunismo, os novos líderes políticos favoreceram a igreja ortodoxa como bastião da cultura russa e procuram utilizá-la em proveito próprio. Cirilo, porém, poderá mudar a proximidade entre poder político e religião. Filho e neto de dissidentes políticos, que se tornaram padres depois de passar por prisões soviéticas, o novo patriarca (de nome laico Vladimir Gundiaev) supervisionou no ano 2000 a elaboração de um documento sobre a concepção social da Igreja, que apela à desobediência civil nos casos em que o Governo viola preceitos cristãos. Por outro lado, o facto de Kliment, que era visto quase como o “candidato oficial” do Kremlin, ter recebido tão poucos votos parece indicar uma vontade dos delegados de emancipar a Igreja da influência política.
Enquanto responsável do departamento das relações externas da Igreja durante quase vinte anos, Kiril beneficia de relações muito boas com líderes de outras igrejas cristãs, em especial com o Vaticano. O anterior Patriarca Alexi recusou sempre encontrar-se com o Papa.
