O País está mergulhado numa agitação que não pode deixar indiferentes os cidadãos responsáveis. A Educação é, em verdade, a garantia do futuro: para as pessoas, para a comunidade nacional. Por tal motivo, o comentário fácil ou a indiferença tornam-se atitudes irresponsáveis.
1 – A senhora Ministra da Educação não deve limitar a sua preocupação e acção à escola estatal. Num regime democrático, cabe-lhe garantir, antes de mais, a liberdade de ensinar e de aprender, realizada quer pela escola estatal quer pela escola pública de iniciativa cooperativa ou particular. Por aí deverá iniciar-se qualquer reforma séria. E, quanto a isso, convenhamos que não tem cumprido o seu dever, nem sequer tem acolhido, como dirá, os pedidos de diálogo por parte dos agentes sociais, confessionais ou não, que têm legitimidade de iniciativa e direito, constitucional, ao apoio do Estado.
2 – A escola estatal, ela própria, como subsidiária (!), não pode veicular uma ideologia das forças que governam. A tutela deve garantir a prescrição dos mínimos de currículos e orientações pedagógicas, conferindo às comunidades educativas a criatividade, pela elaboração do projecto de escola, do seu quadro de valores, dos seus desenvolvimentos curriculares, envolvendo, o mais possível, os outros parceiros educativos: famílias, autarquias, associações culturais, confissões religiosas, que, sem desprezar o nacional, tornem vivo o local… O problema é que já está à bica um novo decreto de autonomia sem que o anterior tenha sido suficientemente experimentado e avaliado.
3 – A avaliação é necessária, mesmo indispensável. E há sempre algumas resistências interiores a submetermos a nossa acção ao juízo de outros. Todavia, uma avaliação séria pressupõe: uma triagem “vocacional”, no tempo da formação inicial, e uma séria exigência científica, pedagógica e humanista dessa mesma formação, para que se não vá para ao ensino por acaso ou sem formação adequada; um enquadramento justo dos profissionais de educação nas comunidades educativas a que são afectos, tendo em conta também as características do ambiente em que essa comunidade vive, para que as suas pessoas possam viver integralmente equilibradas; critérios de avaliação (e perfis de avaliadores) que sejam o mais objectivos possível, reduzindo ao mínimo os efeitos de perspectivas pessoais, que podem ser fortemente condicionantes ou mesmos retaliatórias.
4 – O resultado efectivo do labor dos agentes educativos tem ainda de ser acautelado por um regime de trabalho interiorizado nos educandos, que garanta o mesmo empenho de todos na formação das gerações mais jovens. O clima de laxismo, de alheamento da autoridade, que o sistema e as famílias proporcionam aos educandos, é parte integrante do problema. Não metamos a cabeça na areia: favorecer o culto da noite, o predomínio das emoções adolescentes, a irreverência…, em detrimento dos hábitos de trabalho e horário, da verdadeira educação dos afectos, do respeito generalizado (por todas as coisas e por todos), e querer um sistema educativo eficaz é estarmos a ambicionar o impossível.
