Verdadeiras ou falsas?

As palavras do sr. primeiro-ministro poderiam ser carregadas de verdade, se com recta intenção tivessem sido ditas: “Mostra-me a tua escola, dir-te-ei que nível de desenvolvimento tens”.

Acontece é que, na cabeça daquele que preside aos destinos da (des)governação do País, está a imagem fixa de que a escola é o deslumbramento das construções faraónicas, dos espaços amplos e da arquitectura “arrojada”, mesmo que completamente desenquadrada do ambiente local ou das características do território português. Está a escola da modernização tecnológica, da política mercantilista.

Estão as escolas de luxo, com piso de granito polido, com jardins interiores, com candelabros de custos milionários…, dizendo que é para aproveitar os dinheiros do QREN. Como se os impostos dos portugueses não tivesse de participar nesta megalomania de arquitectura.

Não se pesam os custos de manutenção multiplicados, o aluguer que o estado está a pagar pelas suas próprias escolas, a uma empresa que é estatal… Sim, porque, por exemplo, uma escola de Leiria vai pagar nada mais nada menos do que cerca de 600.000 euros anuais de aluguer à Parque Escolar! Quem percebe tudo isto?

E a sr. Ministra da Educação tem o desplante de vir dizer que estas são obras de fundo, não são a política de “remendos” – como se fazia até há pouco tempo! – que deixam Direcções de Escolas, Pais, Alunos, Autarcas locais…, todos cheios de um visível contentamento. Resta-me saber se, como no programa Prós e Contras sobre a Educação, o retrato não será emoldurado por “figurantes”, para evitar que estejam presentes vozes críticas, discordantes.

E talvez valha a pena consultar alguns ex-directores ou membros actuais de Conselhos Gerais de escolas, para se perceber que essas tais obras de fundo acusam, logo à nascença, problemas estruturais que nunca mais terão solução.

Agora, se pudesse estar na cabeça do sr. primeiro-ministro a escola feita de profes-sores e assistentes operacionais que, mesmo vilipendiados, dão a vida pela educação, feita de associações de pais que são veio de interacção permanente das famílias com a escola, feita de alunos que assumem quadros de valores éticos e morais de verdadeiro desenvolvimento humano integral, feita de projectos educativos com horizontes muito para além de metas de aprendizagem, feitas de comunidades envolventes em cumplicidade com a escola como pólo de crescimento local… Então seriam verdadeiras as palavras do chefe do Governo!

A filosofia de Educação dos últimos tempos não tem sido mais do que a agressivi-dade descarada à iniciativa da sociedade civil, por uma sede incontida de dominação de todo o espaço educativo, a duplicação de gastos onde não seria necessário fazê-los; a vaidade de erguer edifícios de “pedra”, sem quaisquer preocupações de erguer verdadeiros “edifícios” humanos, verdadeiras famílias educativas.

Poderiam ser verdadeiras, de facto, as ditas palavras. Infelizmente, não o são no caso português!