“Vestimos muitas camisolas, mas todas são do voluntariado”

Primeiro encontro do voluntariado social católico juntou cerca de 400 pessoas. “Quando somos mediadores do amor de Deus, somos os primeiros beneficiários”, disse-lhes o Bispo de Aveiro.

“Vestimos muitas camisolas, mas todas são do voluntariado”. A frase, quase como um slogan, foi proferida com frequência no primeiro encontro diocesano dos voluntários que se assumem como católicos nas diversas instituições em que se dedicam à pastoral social ou caridade. O encontro decorreu na tarde de 4 de Dezembro, no Seminário de Aveiro.

“O voluntariado é uma expressão da caridade cristã. O cristão é sempre voluntário”, afirmou P.e João Gonçalves na abertura do encontro. O responsável a nível diocesano pela pastoral social realçou que o voluntário cristão procede como um antigo cântico revolucionário, que afirmava “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”, ou como S. Paulo, que dizia “Antecipai-vos”, e convidou a um exame de consciência “perante o guarda-fatos”: “Que coisas tenho eu em excesso, que não preciso, que fazem falta a outros?” Referiu, por outro lado, que em Portugal o voluntariado anda pelos 12 por cento, metade da média europeia, mas que neste número não entra o voluntariado religioso. Se entrasse, o número seria muito maior.

Numa aproximação quantitativa e qualitativa ao voluntariado, afirmou-se que existem na diocese cerca de 2000 voluntários na área sócio-caritativa, distribuídos por mais de centena e meia de grupos e instituições, e ouviram-se sete testemunhos de pessoas que se dedicam aos outros.

D. António Francisco apontou algumas características do voluntário: “É aquele que não se limita a ver as necessidades, mas procura soluções”, sabe que “a solidariedade só se cumpre se ele estiver ao serviço do outro e do seu desenvolvimento”, “não se limita a fazer muitas coisas, mas dá-se”, “promove a cultura da dádiva”, “respeita a dignidade do outro”, “promove a justiça”, “não assume o voluntariado como hobby para ocupar o tempo”, “está atento às novas formas de pobreza”, “tem a capacidade de agir em grupo, ordenado e coordenado”. “Quando somos mediadores do amor de Deus, somos os primeiros beneficiários, somos os que mais recebemos”, disse, reforçando que “todos temos espaço no campo amplo do voluntariado”, que, sendo “causa de todos e para todos”, “confirma a esperança”.

O encontro terminou com o desejo de que seja “o primeiro e não único nem último”, segundo expressão da animadora social Raquel Leite, que moderou a sessão. No momento final, os voluntários proclamaram uma oração de bênção e compromisso em que repetiram uma frase de Jesus: “Todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”.

J.P.F.

Números do voluntariado social católico

2000

pessoas empenhadas no voluntariado sócio-caritativo na Diocese de Aveiro. Destas, cerca de 400 participaram no primeiro encontro diocesano.

165

instituições e grupos que nos 10 arciprestados da diocese de Aveiro acolhem voluntários. Este número inclui Misericórdias, Centros Sociais Paroquiais, grupos da Cáritas e dos Vicentinos, fundações e grupos de visitadores de doentes, entre outros.

TESTEMUNHOS

Deolinda, visitadora de doentes na paróquia da vera Cruz:

Faço este trabalho com muito amor e dedicação. Na Vera Cruz somos nove visitadoras de doentes. Quando estamos com os doentes, é como se estivéssemos com Deus.

Manuel Sobral, voluntário na Misericórdia de Oliveira do Bairro:

Faço voluntariado com aquecimento central [no interior da instituição]. Admiro a gente que anda com os pés cá fora, junto dos que vivem em grande solidão, onde falta o conforto, que toma como suas as misérias que encontra.