Visita “histórica” a Cacia realçou herança romana e Arte Nova

As “Tardes com Cultura em…” passaram por Cacia. Destacou-se a romanização, as grandes figuras da terra e a Arte Nova com azulejos.

A história de Cacia, principalmente na parte final do período romano (séculos V e VI) e também no último milénio (do ano 1096 até à atualidade) esteve em foco em mais um evento “Tardes com Cultura em…”, que culminou com uma visita guiada pela Rua Luís de Camões, onde se encontram alguns dos melhores exemplares arquitetónicos “Arte Nova” em Cacia.

Porfírio Ramos apresentou uma resenha histórica de Cacia, centrada sobretudo nos dois últimos séculos, onde evocou muitos dos vultos que mais se evidenciaram nos domínios da política, da cultura e do desenvolvimento social. Recuando na história, aludiu ao primeiro documento escrito em que se refere Cacia: uma doação feita pelo Conde D. Henrique e sua esposa D. Teresa, no ano de 1096, ao mosteiro do Lorvão.

A terminar a sua intervenção, Porfírio Ramos explicou a evolução de alguns topónimos de Cacia (e da região do Vouga), desde a sua provável origem sueva ou gaélica, até ao nome atual.

Alexandre Sarrazola descreveu a intervenção arqueológica realizada nos locais conhecidos por Marinha Baixa e por Torre, onde foram encontrados vestígios datados dos séculos V e VI, mas onde poderá ter existido um povoado mais remoto: um castro romanizado.

Os trabalhos de prospeção arqueológica na Marinha Baixa foram motivados pela construção da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) Norte. A SIMRia, entidade responsável pela sua construção, quis que a obra tivesse acompanhamento arqueológico, tanto mais que alguns autores, com destaque para Alberto Souto e Bartolomeu Conde, escreveram sobre vestígios arqueológicos, de origem romana, encontrados naquela zona. A importância dos achados arqueológicos originou uma pequena alteração no projeto da ETAR Norte, nomeadamente a mudança de local de um edifício, de modo a não destruir o que ainda restava de interesse histórico.

O arqueólogo revelou que esses achados arqueológicos foram devidamente estudados e encontram-se preservados mas enterrados, de modo a poderem ser alvo de um estudo mais aprofundado quando necessário.

Na Marinha Baixa foram encontrados alguns fornos do período final da romanização, os quais poderão indiciar que naquele local havia uma “zona industrial” de reciclagem de vidro, tanto mais que estava próximo do lugar da Torre (que poderá ter sido um castro romanizado), atualmente praticamente destruído devido à exploração de uma saibreira que aí existiu em meados do século XX.

Nos séculos V e VI, tanto a Marinha Baixa como a Torre situavam-se junto da foz do rio Vouga (a formação da laguna – Ria de Aveiro – é muito posterior), rio que era navegável até ao interior e por onde eram exportados os minerais (ferro e cobre) explorados nas zonas de Albergaria-a-Velha e de Sever do Vouga. Não muito afastado passava a principal estrada romana (para o Porto e Braga), junto à qual se erguia aquela que seria a maior povoação romana da região – Talábriga, cidade que Alexandre Sarrazola situa onde hoje existe a estação arqueológica de Cabeço do Vouga (concelho de Águeda).

Cardoso Ferreira

Eixo acolhe próxima “Tardes com Cultura em…”

No dia 25 de agosto irá decorrer mais um evento “Tardes com Cultura em…” que dará a conhecer a história de Eixo.

O local de encontro para a visita é a Quinta de S. Francisco (fundada por Jaime Magalhães Lima e atualmente propriedade do grupo Portucel), pelas 17 horas, prosseguindo depois pelo centro histórico, com visita à Capela de N.ª Sr.ª da Graça, ao apeadeiro do caminho-de-ferro, à Casa de D. Maria José Dias Leite e à residência do Dr. Ribeiro de Lima.

Os oradores do evento serão Monsenhor João Gonçalves Gaspar, o Professor Amaro Neves e a engenheira Leonor Guedes.

“Tardes com Cultura em…” são organizadas pela ADERAV e pelo Museu da Cidade de Aveiro.

Redução do IMI pode incentivar recuperação da Arte Nova

Em resposta à proprietária de um imóvel Arte Nova situado na Rua Luís de Camões sobre a existência, ou não, de incentivos para a recuperação e manutenção dos edifícios “Arte Nova”, obras que, em sua opinião, são “bastante dispendiosas”, a vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Aveiro, Maria da Luz Nolasco, referiu que o primeiro passo a dar é pedir a classificação do imóvel como de “interesse concelhio”, após o que a autarquia poderá reduzir o valor de algumas taxas, incluindo do IMI (imposto municipal sobre imóveis).

Em Cacia há alguns edifícios “Arte Nova” com características únicas em relação aos congéneres de Aveiro, sobretudo ao nível da temática azulejar, já que em Cacia surgem muitos pequenos painéis de azulejos com temática rural.