Párocos deram conta das dificuldades sociais sentidas nas suas comunidades. Há sinais de aumento da pobreza, mas também há boas respostas sociais, dentro e fora da Igreja.
D. António Francisco deseja que a visita pastoral a Oliveira do Bairro, iniciada no passado domingo, seja um “olhar de esperança” sobre a realidade humana e social das dez paróquias. “Sabemos das dificuldades e dos dramas que a pobreza, o desemprego, a insegurança e o medo perante o futuro nos trazem. A Igreja quer estar presente no caminho comum que urge fazer. Queremos ser Igreja renovada na caridade, educadora da fé e fortalecida pela oração que apresentando-se com humildade e simplicidade lugar de esperança para o mundo”, afirmou na conferência de imprensa de 3 de Janeiro.
Interrogados sobre os problemas sociais que atingem as comunidades, os párocos presentes na conferência que decorreu na Biblioteca Municipal de Oliveira do Bairro, deram contra de algumas preocupações. P.e António Cruz, pároco de Oliveira do Bairro e Sangalhos, disse ter sido raro o dia de Dezembro em que não bateram à sua porta a pedir ajuda, quase sempre dinheiro, para pagar rendas ou medicamentos. Os casos foram geralmente encaminhados para a Misericórdia, para a Câmara Municipal ou mesmo para a GNR. O P.e José Augusto, sendo o pároco da Palhaça, paróquia que tem mais respostas sociais instituídas, afirmou que apesar de não haver situações dramáticas entre os utentes das suas instituições (creche, lar e centro de actividades ocupacionais para portadores e deficiência), o Centro Social Paroquial decidiu não aumentar as mensalidades, tanto em Setembro como em Janeiro de 2011. Notou, por outro lado, que alguns pais, na altura de pagar a comparticipação, pedem o adiamento por uns dias.
P.e Mário Ferreira, pároco de Oiã, referiu o trabalho que está a ser feito por instituições sociais não ligadas à Igreja, como é o caso da Solsil, do Silveiro, e sublinhou que há neste momento 285 famílias a serem apoiadas pela Cáritas paroquial. Por outro lado, mostrou preocupação pastoral em relação às duas grandes comunidades ciganas que estão na paróquia. “Temos de falar com a autarquia e com as forças vivas. Vamos fazer algum trabalho nesse sentido”, disse, esperando que a visita pastoral abra perspectivas. Em tempo de crise, disse ser importante “apoiar os empresários, para que não desanimem”, porque “eles é que dão o pão à nossa gente”. Aguarda-se, pois, o encontro com os empresários, que será no dia 25 de Fevereiro.
P.e Costa Leite, pároco de Fermentelos, apontou dois outros problemas: o das famílias emigrantes na Venezuela que não conseguem trazer para Portugal os seus bens devido às restrições impostas pelo governo de Hugo Chávez; e o dos romenos que são deixados às portas das igrejas para fazerem peditórios e recolhidos de carrinha no final das missas. No entanto, notou com agrado que há imigrantes de Leste integrados na paróquia.
P.e Manuel Arlindo, pároco de Bustos e Mamarrosa, também realçou o trabalho de instituições sociais que não estão ligadas à Igreja e disse ter ficado admirado com a generosidade dos paroquianos de Bustos quando, com uma comissão, percorreu a paróquia num peditório para a restauração da Igreja paroquial. “Drama maior”, disse, “sente-se no Colégio Frei Gil”, localizado em Bustos, devido ao corte 30 por cento no financiamento estatal estipulado pelo contrato de associação que a escola tem com o Ministério da Educação. O Colégio serve principalmente as freguesias de Bustos, Mamarrosa e Palhaça. O futuro afigura-se difícil. “Não sabemos como fazer”, disse Pe. Manuel Arlindo, referindo-se a uma reunião com os responsáveis da escola.
É neste panorama que decorre a visita pastoral até Maio. O Bispo de Aveiro quer que a Igreja faça “tudo o que estiver ao seu alcance para vencer o desalento de uns, o medo de outros e a pobreza de muitos”. “Aqui está a Igreja no meio de vós e convosco como sinal de esperança e sacramento de salvação, que eu também quero ser”, afirmou.
Bispo de Aveiro na Câmara Municipal
D. António Francisco, com párocos e diáconos permanentes, apresentou cumprimentos na Câmara Municipal de Oliveira do Bairro, sendo recebido pelo presidente, Mário João Oliveira, e alguns vereadores.
Na reunião, na manhã do dia 10 de Janeiro, o presidente da Câmara deu a conhecer algumas realizações do município. O Bispo de Aveiro, por seu turno, saudou o desenvolvimento dos últimos 20/30 anos, embora se note agora um aumento de desemprego, e manifestou preocupação quer em relação ao futuro do Colégio Frei Gil, de Bustos, devido aos cortes de financiamento, que em relação a instituições particulares de solidariedade social que estão a ficar cerceadas nos seus direitos e limitadas nas suas possibilidades. Afirmou, por outro lado, que a alegria e cor que o povo manifesta a quando da visita do seu bispo dever se entendida também como agradecimento aos padres, diáconos e leigos que diariamente estão ao serviço das comunidades.
