O arranque. A visita Pastoral, que é sempre um grande acontecimento para qualquer paróquia, uma bênção, começou na freguesia de Oiã, no dia 27, última quinta-feira. Não do melhor modo quanto à festa do acolhimento feito ao bispo de Aveiro, D. António Francisco. O templo estava meio, embora se enchesse com o eco das palmas calorosas. A noite fria não explica tudo. O comodismo, a falha no compromisso na fé talvez tenham sido as razões mais fortes.
A noite foi marcada por três eventos que decorreram durante pouco mais de uma hora. Um foi a oração Taizé, que percorreu todos os momentos; outro foram as palavras de regozijo do bispo por mais uma vez estar em Oiã, desta vez de um modo diferente e com uma missão especial: a aproximação do pastor, sempre solícito e acolhedor, à população, e com isso partilhando com ela as suas alegrias e angústias e deixando uma palavra de esperança.
Por outro lado, o pároco, padre Mário Ferreira, fez a radiografia da freguesia sob diversos prismas, económico, social, religioso e pastoral, plasmando no documento, muito completo e pertinente, muitas das suas preocupações. Em resumo, a freguesia é uma terra em que mora o progresso, mas, a par, abundam males como o desemprego, a prostituição, confessando que, a nível pastoral, há muito caminho a percorrer.
Crise social. A sexta-feira foi marcada por dois momentos: a visita, com os autarcas, à futura sede da Junta de Freguesia em fase acelerada de acabamentos e, à noite, uma conferência, sob o tema “Crise Social: que desafios, que respostas?” cujo palestrante foi Eugénio Fonseca, presidente nacional da Cáritas Portuguesa. Não falou tanto das causas da crise, mas trouxe para o debate as situações de exclusão e pobreza para que arrastou o país tal fenómeno, gritante e gigantesco.
Sobretudo, mostrou como a igreja, através deste movimento, e não só, está a dar resposta ao flagelo, engordado pelos novos pobres, os pobres envergonhados. À igreja acorre muita gente, mesmo os que não praticam a religião ou são ateus e a igreja tem de estar de mãos abertas a todos. Porque, no fundo, a Igreja tem crédito e é hoje uma voz de esperança, o grande amparo. Presidiu D. António Francisco.
O Grupo Coral, cantando três peças, deu um toque cultural ao evento.
Crisma. No sábado, o bispo celebrou a Missa vespertina e teve um encontro com os crismandos e padrinhos, fortalecendo-os na fé e chamando-os ao compromisso. Em número de 32 (18 adultos e 14 jovens), estes estiveram no centro da celebração da Missa de domingo, com igreja bem cheia, ao receberem o sacramento da Confirmação (também dito Crisma) pelas mãos do bispo, rosto de Cristo na terra, que lhe dirigiu palavras de incentivo e ânimo para o começo de nova caminhada na Fé. Se um dos objectivos de uma visita pastoral é confirmar os crentes na Fé, este acto teve exactamente esse significado, de um modo ampliado. Alguns dos crismandos participaram activamente em muitos momentos celebrativos, nomeadamente leituras e apresentação dos dons.
Dia paroquial dos doentes. O domingo encerrou com um encontro com doentes e idosos na igreja matriz (esteve praticamente cheia) da parte da tarde, os quais viveram momentos de consolação e de esperança, com D. António Francisco, sempre muito próximo e comungante dos seus temores e angústias e deixando-lhes palavras de esperança e de consolo. Houve momentos de muita alegria e de grandes emoções, tanto durante a celebração eucarística, como depois no convívio. Correu tudo muito bem. Os ministros extraordinários da Comunhão, que estiveram na organização e acompanhamento, estiveram inexcedíveis no zelo e no brio. O ambiente começou a aquecer.
Armor Pires Mota
