Viver para quê?

Outras Ideias Com distribuição gratuita, acaba de vir a lume o n.º 8 de Outras Ideias, uma publicação do Centro Universitário Fé e Cultura (CUFC). A direcção é de Alexandre Cruz e a coordenação editorial de António Jorge.

Outras Ideias é um desafio à reflexão de jovens de todas as idades, sobretudo direccionado para os que não se conformam com uma vida sem sentido e sem horizontes. Merece, por isso, ser lida e meditada pelos que apostam na inquietude, na procura de alicerces para uma vida diferente, onde o diálogo seja sempre norma a seguir em todas as circunstâncias.

A questão Viver para quê?, que aponta o tema deste número de Dezembro de 2003, é um apelo a uma leitura atenta, meditada, não só para ficarmos a saber que há outras ideias vivenciadas por gente com quem nos cruzamos no dia-a-dia e que partilham connosco os mesmos horizontes que projectam um mundo melhor, mas também para recordar-mos valores que enformam a nossa civilização cristã, valores esses que têm sido muitas vezes olvidados.

O director Alexandre Cruz, padre e membro da equipa do CUFC, propõe a todos os eventuais leitores de Outras Ideias uma viagem nesta era de especialização científica, porque se torna imperativo essencial “não perder o horizonte de humanidade”. Ainda porque “este é a finalidade última de tudo o que pensamos e do ‘algo’ que fazemos”.

Porque esta publicação se destina a jovens de idades várias, torna-se pertinente reflectir sobre o idoso, aquele que chegou ao “tempo da sabedoria da vida”. O médico Amorim de Figueiredo conta-nos a história do homem com estórias de séculos, numa perspectiva da sua dignidade e autonomia, da sua dependência e experiência, da sua transcendência e da sociedade em que vive. E não deixa, com oportunidade, de frisar que “a juventude tem um belo rosto e a velhice uma bela alma”.

Para além da oportunidade do tema que abre a reflexão, outros se seguem, não menos importantes, relacionados com a fé e com a educação, com a procura do equilíbrio e com a visão internacional, com os olhos no futuro e um olhar pelo viver na China, sem ignorar a importância que é devida ao ambiente e à vida. Mas também com uma especial atenção à ciência, à religião e à ética, onde as artes, o ecumenismo e o diálogo inter-religioso possam ser uma constante na nossa existência.

Em Outras Ideias ainda há quem se debruce sobre a esperança, sobre os heróis da resistência, sobre o lugar da Física e de Deus no nossa vida, sobre a riqueza da multiculturalidade, sobre a procura do sentido, sobre a excelência e a eloquência e sobre itinerários de vida nova.

A fechar, nada melhor do que um poema de Xanana Gusmão em torno da liberdade. “Se eu pudesse/ pelas frias manhãs/ acordar tiritando/ fustigado pela ventania/ que me abre a cortina do céu/ e ver, do cimo dos meus montes,/ o quadro roxo/ de um perturbado nascer do Sol/ a leste de Timor…”. O resto do poema e os outros textos estão à espera de quem procurar, no CUFC, Outras Ideias.