O Santo Padre, em audiência do passado sábado concedida à Pontifícia Academia Eclesiástica – a escola da diplomacia do Vaticano -, definiu a missão dos diplomatas da Santa Sé como “uma específica vocação sacerdotal, um ministério pastoral que comporta uma particular inserção no mundo e em seus problemas, frequentemente muito complexos, de tipo social e político”.
Temos muitas vezes a impressão, se é que não é preconceito, de que é uma carreira de prestígio, uma actividade paralela e distante da missão da Igreja, um mundo de estratégias e “negociações” despido de qualquer dinamismo do evangelho. Pois bem: o Papa vem reconhecer-lhe uma dimensão vocacional e conferir-lhe uma missão evangelizadora. Uma e outra de notável valor e de alcance pastoral de largos horizontes.
Para alimentar a identidade vocacional, recorda-se aos diplomatas do Vaticano que «“é essencial e fundamental” manter uma vinculação pessoal com Jesus, com “amigos que buscam a sua intimidade”». Ou seja: é um exigente caminho de santidade, que deve prescindir de carreirismo humano e cómodo, dispensando o aplauso das pessoas.
Resposta a um apelo do Senhor Jesus, pelo chamamento do Bispo, em Jesus Cristo deve repousar as suas preocupações e anseios, especialmente nos momentos de densa escuridão, de complexa dificuldade interior de decisão.
Presença missionária específica no cerne da complexidade de relação entre pessoas, grupos e povos, reclama uma “estrutura interior robusta e uma solidez espiritual” exemplar. São condições indispensáveis para consolidar uma capacidade de diálogo com a modernidade e com as pessoas e instituições com que se cruzam no desempenho da sua missão.
Afinal, a diversidade de dons e a pluralidade de serviços na Igreja também integram aspectos que, às vezes, nos soam a “coisa mundana”. E todos sabemos como o estabelecimento de relações harmoniosas entre a Santa Sé e os Povos, como a equilibrada cooperação entre representações diplomáticas, como a participação na constituição da estrutura hierárquica das Igrejas locais…, são tarefas de capital importância não para uma Igreja que usufrua de privilégios, mas para caminhos que possibilitem a realização da sua missão: ser sacramento de Deus no Mundo!
