Voluntariado institucional e de proximidade

Questões Sociais 1. Em geral, o voluntariado é, simultaneamente, institucional e de proximidade: é institucional, na medida em que se encontra organizado; e é de proximidade, na medida em que actua no contacto directo com outrem.

No entanto, poderemos considerar a distinção entre voluntariado exercido no interior de instituições e o exercido localmente. Entre os exemplos de voluntariado exercido no interior de instituições (ou voluntariado institucional em sentido estrito), figuram os voluntários que actuam em hospitais, centros de saúde, estabelecimentos prisionais e instituições particulares de solidariedade social. Exemplos típicos de voluntariado exercido localmente (ou de proximidade em sentido estrito) são as conferências vicentinas, os grupos sociocaritativos e quaisquer outros grupos locais de acção social.

É relevante, no voluntariado de proximidade (em sentido estrito), a distinção entre o de primeiro grau e o de segundo: o de primeiro grau é espontâneo, em geral, e acontece nas relações de família, vizinhança e amizade; o de segundo grau, mais ou menos organizado, corresponde aos casos das conferências vicentinas e grupos atrás referidos.

2. O voluntariado de proximidade está, naturalmente, do lado das pessoas e dos seus problemas, cooperando com elas na procura das soluções necessárias. O voluntariado institucional também está com as pessoas e seus problemas; no entanto, situado na instituição, coloca-se também do lado das respostas. Deste modo, os dois tipos de voluntariado completam-se mutuamente, com vantagens para eles próprios e, sobretudo, para as pessoas que procuram apoiar.

3. Uma tentação muito frequente no voluntariado de proximidade é a de possuir meios e respostas sociais como, por exemplo, apoio domiciliário, creches, centros de dia, lares, etc. Isso compreende-se perfeitamente e até pode ser correcto; porém, nunca deveria servir de pretexto para a diminuição do serviço de proximidade, sem equipamentos.

Com efeito, é neste voluntariado que está a base, por excelência, de toda a acção social, entendida no sentido mais amplo e mais profundo. Sem ele, muitas situações graves ficam esquecidas, e marginalizadas as pessoas que as sofrem. É na proximidade que acontecem o primeiro conhecimento, o acolhimento imediato e a ajuda pronta. Ele promove a mediação junto das entidades competentes para as soluções adequadas, e o acompanhamento regular até serem alcançadas essas soluções.

Na perspectiva cristã, é na proximidade que pode acontecer a solicitude permanente aberta, tendencialmente, a todas as pessoas em situação de carência.