Voluntários cristãos convocados para primeiro encontro diocesano

Primeiro encontro dos voluntários cristãos da Diocese de Aveiro realiza-se no dia 4 de Dezembro, no Seminário de Aveiro. Os voluntários querem conhecer-se e unir-se.

“Quem somos? Quantos somos? O que fazemos?” Não, não são as perguntas dos censos. São questões que vão estar em foco no primeiro encontro diocesano de voluntários da pastoral social, ou seja, de todos aqueles que voluntariamente dão do seu trabalho e tempo à acção sócio-caritativa nos centros sociais paroquiais, nos grupos cáritas, nas conferências vicentinas, nas misericórdias ou noutros grupos formais e informais de âmbito caritativo.

O encontro realiza-se no Seminário de Aveiro, no dia 4 de Dezembro, a partir das 15 horas, organizado pelo Secretariado Diocesano da Pastoral Sócio-Caritativa. O grupo de trabalho que o preparou inclui pessoas ligadas à Cáritas Diocesana, Misericórdias, IPSS (instituições particulares de solidariedade social, onde estão incluídos os centros sociais paroquiais), Pastoral da Saúde, Pastoral Penitenciária, Comissão Diocesana Justiça e Paz, Pastoral da Mobilidade Humana e Conferências Vicentinas.

Joana Condesso, professora de Ciências Naturais em Cucujães e voluntária na Cáritas Diocesana, explica a génese e o objectivo do encontro: “Os voluntários deste sector trabalham muito, mas por vezes nem se conhecem. Às vezes até trabalham de costas voltadas uns para os outros. Estando quase a terminar o ano do voluntariado, faz todo o sentido este encontro”.

O encontro destina-se a todos os voluntários cristãos do sector social, pelo que, sem avançar números, Joana Condesso, espera um salão do Seminário bem composto. “Este encontro não é, por exemplo, para catequistas, que também são voluntários e até têm encontros anuais com o sr. Bispo, mas para aqueles que trabalham na acção social, que são voluntários em centros sociais, hospitais, prisões. Estou a pensar, por exemplo, nas direcções dos centros sociais paroquiais. Quase ninguém agradece a estas pessoas que trabalham muito sem receber qualquer compensação económica. Precisamos de nos sentir mais próximos uns dos outros”, afirma a voluntária.

Não existe um levantamento do voluntariado cristão na diocese de Aveiro, para este sector, pelo que esse é também um dos objectivos do encontro. Outro será ouvir de D. António Francisco algumas orientações para este campo. Em foco deverão estar as “indicações práticas” publicadas pelos bispos portugueses em Setembro passado sobre “serviços paroquiais de acção social para uma cultura da dádiva”. Joana Condesso deseja que todas as paróquias estejam representadas, “mesmo que não tenham grupos de acção social”, porque esta será, certamente, uma ocasião óptima para iniciar um grupo paroquial que esteja atento e faça algo pelos mais frágeis da sociedade. É isso que é o voluntariado social.

J.P.F.

Três perguntas a P.e João Gonçalves, vigário da Pastoral Social

“Partilhamos na construção de uma cidadania solidária”

O que espera deste primeiro encontro dos voluntários da Pastoral Social?

Este encontro nasceu da necessidade que sentimos de tomarmos consciência, em conjunto, de que o voluntariado que os cristãos fazem tem características muito especiais: ele corresponde a um Mandamento, que é o de Amar, e responde a uma marca de identidade que o cristão não pode esquecer. Isto explica-se muito bem com a resposta de uma senhora, comprometida num grupo da Pastoral Social da sua Paróquia: “Eu não sou voluntária! Eu sou CRISTÃ!” Para um cristão, a prática do voluntariado é uma atitude de permanente normalidade… É isto que queremos dizer uns aos outros.

Esperamos, também, a palavra do nosso Bispo, que nos envie, com a autoridade de quem preside à Caridade, de modo que nos sintamos permanentemente em espírito de Igreja: não estamos “por conta própria”!

Por outro lado, vivemos um Ano Europeu dedicado ao Voluntariado, e é bom que estejamos conscientes – os cristãos e os outros – de que também lá estamos… e partilhamos na construção de uma cidadania solidária.

Há encontros de formação para catequistas, ministros da Comunhão, cantores, etc. mas não para este sector. É um parente pobre da acção da Igreja? Ou é tão forte que vive com autonomia?

Esta questão estamos a recordá-la permanentemente. Os encontros de formação que se fazem para as outras acções da vida da Igreja têm sempre muito mais participantes, mesmo a nível nacional, do que aquelas que estão voltadas para a Pastoral Sócio-Caritativa. De estranhar! A recente publicação da Comissão Episcopal da Pastoral Social – que será tema fulcral deste nosso encontro – sobre “SERVIÇOS PAROQUIAIS DE ACÇÃO SOCIAL – PARA UMA CULTURA DA DÁDIVA”, afirma a dada altura: “O desequilíbrio de atenção pastoral das comunidades eclesiais, muito centradas no culto, necessita de valorização (…) da caridade organizada”.

Fazemos, ao longo do ano, encontros de formação para alguns sectores da Pastoral Social; mas achamos que temos de ser mais “aguerridos”.

Na sua visão, qual o perfil óptimo do voluntário cristão da Pastoral Social?

Em poucas palavras, é ter a capacidade de “ver com o coração”, ser generoso, assumir o espírito da Instituição a que esteja ligado e ser optimista, bem humorado!