De 18 a 25 de Janeiro decorre a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Os cristãos são chamados a seres “melhores testemunhas” para não “dividir Cristo”
Está aí à porta, num ciclo anual que se vai repetindo, mas, talvez por isso mesmo, nem sempre bem reflectida e aproveitada, a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que culmina com a celebração da Conversão de S. Paulo.
A figura grande de Paulo foi objecto especial da nossa atenção e estudo em 2008/2009, em que se procurou colher o fruto da sua vida profundamente enraizada em Jesus Cristo e dos seus ensinamentos a diversas comunidades que se tornaram para nós Palavra de Deus viva e vivida por ele.
Com Paulo aprendemos que a ruptura inicial e o insucesso da pregação apostólica não significam menos força da palavra de Deus (cf. Rm 9,6). Ele mesmo foi protagonista duma rejeição em relação àqueles que reconheceram Jesus como o seu Senhor, o que lhe valeu ser ele mesmo rejeitado e perseguido. Mas o Espírito Santo revelou a Paulo, sobre o mistério de Israel, que a laceração no seio do povo de Israel não era da vontade de Deus. Paulo não quer que ignoremos – assim o diz ele – que Deus não quis o endurecimento dos judeus em relação a Jesus; esta situação não é definitiva pois não é conforme ao desejo profundo do coração de Deus.
Deus espera e o Espírito anuncia a iluminação e a plenitude do povo de Israel. Tal é a esperança da Igreja. Com muito mais razão, como poderá um cristão que lê a carta aos Romanos resignar-se com as rupturas entre os próprios cristãos?
Mas Paulo também viveu e sentiu as dificuldades de entendimento no seio da comunidade cristã. A leitura do Novo Testamento faz-nos perceber quanto a própria Igreja nascente foi ameaçada de divisões a este propósito. Basta recordar o capítulo 15 dos Actos dos Apóstolos e o capítulo 2 da Carta aos Gálatas para ver as dificuldades e a sua importância.
A divisão é um facto objectivo. Porém, não podemos aceitar isto como uma realidade definitiva. O sofrimento de Paulo, a oração que faz e a esperança da unidade no amor são outras tantas indicações para que a Igreja aprenda a compreender, a sofrer e a resolver as suas divisões, sabendo que elas são uma ferida no coração de Deus.
«Vós sois testemunhas destas coisas» é o tema de fundo proposto para esta Semana preparada em conjunto pelo Conselho Ecuménico das Igrejas e o Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos.
Faz-nos bem ler o preâmbulo do caderno que serve de base para poder captar o espírito de urgência da unidade dos cristãos. Somos convidados a ler todo o capítulo 24 do Evangelho segundo S. Lucas para perceber que o testemunho de Cristo Ressuscitado é feito de formas diversas mas sempre centrado no anúncio fundamental da Boa Nova. Já somos testemunhas, mas precisamos de nos tornar testemunhas melhores e, sobretudo, deixar de «dividir Cristo», na expressão de S. Paulo. A reflexão para os diversos dias propõe caminhos a percorrer: Louvando Aquele que nos dá o dom da vida e a ressurreição (dia 1); sabendo partilhar com outros a história da nossa fé (dia 2); reconhecendo que Deus age nas nossas vidas (dia 3); dando graças pela fé que recebemos (dia 4); confessando a vitória de Cristo sobre todo o sofrimento (dia 5); buscando sempre ser mais fiéis à Palavra de Deus (dia 6); crescendo na fé, na esperança e na caridade (dia 7); oferecendo hospitalidade e sabendo recebê-la quando nos é oferecida (dia 8).
Tocou-me, de forma particular, um conjunto de frases-apelo que se encontram no texto da introdução: «Os cristãos trazem no coração um senso de urgência bem semelhante: para a nossa humanidade ferida pela divisão, o evangelho não é um luxo supérfluo; o evangelho não pode ser proclamado por vozes discordantes… Em Cristo, aqueles que se dividem por qualquer coisa podem encontrar a alegria de viver como irmãos e irmãs… Vós sois testemunhas disso».
J. Franclim Pacheco
Oração ecuménica na Igreja Metodista
No dia 21 de Janeiro (quinta-feira), pelas 21 horas, haverá um momento de oração ecuménica na Igreja Metodista de Aveiro (Rua Eng, Oudinot, n.º 62). A celebração está a ser preparada por católicos e metodistas, sendo também convidados a nela participar os ortodoxos da região de Aveiro.
Após a celebração, haverá um momento de convívio à volta de bolos e chá. “É um espaço para irmos quebrando o gelo e nos conhecermos melhor”, diz P.e José Manuel Pereira, que da parte católica prepara a celebração.
Tradicionalmente, a semana de oração pela unidade dos cristãos é celebrada de 18 a 25 de Janeiro. Estas datas foram propostas, em 1908, por Paul Wattson, abrangendo o período entre a festa de São Pedro e a de São Paulo.
