XXXI Domingo Comum – Ano C

À Luz da Palavra A Liturgia da Palavra convida-nos a contemplar a maravilha do amor de Deus, que é um amor incondicional por todos os seus filhos e filhas, e mostra-nos como só o amor divino, actuando em nós, é agente de transformação e de revivificação.

Na primeira leitura, um “sábio” de Israel explica-nos a “brandura” com que Deus tratou os egípcios opressores do povo hebraico. Esta “brandura” tem a sua origem no infinito amor de Deus: Ele, que criou todas as pessoas, ama-as com um amor paterno e materno, pois cada ser saiu das suas mãos. O nosso Deus é, pois, cheio de ternura e misericórdia. Não nos criou para em seguida nos destruir, mas quer que nos convertamos ao seu amor e ao amor fraterno. Hoje, sou convidado/a a interiorizar este “retracto” de Deus e a deixar-me embeber da lógica do seu amor benevolente e misericordioso para connosco. É esta também a minha atitude para com aqueles que me ofendem ou cujos comportamentos me incomodam?

O evangelho apresenta-nos o episódio de um pecador chamado Zaqueu, marginalizado e desprezado pelos seus concidadãos, que se encontrou com Jesus e descobriu nele o rosto do Deus-Amor. Jesus convidou-o a sentar-se com Ele à mesa do “Reino”. E este homem, egoísta e mau, deixou-se transformar pelo amor de Deus, revelado na pessoa de Jesus. Esta perícopa revela-nos um Deus de ternura, que somos convidados a testemunhar com palavras e gestos, e a perceber que só o amor gera amor e que só com amor conseguiremos transformar o mundo e o coração das pessoas. Contudo, isto não significa branquear o pecado e pactuar com o que está errado. Distin-gamos entre pecador e pecado: Deus convida-nos a amar todos os homens e mulheres, inclusive os pecadores, mas chama-nos a combater o pecado, que desfigura o mundo e destrói a felicidade do ser humano.

A segunda leitura faz referência ao amor de Deus, pondo em relevo o seu papel na nossa salvação; e avisa-nos para que não nos deixemos manipular por devaneios de fanáticos, que aparecem, por vezes, a perturbar a nossa caminhada cristã normal. Paulo exorta-nos a que permaneçamos dignos do amor criador de Deus, do chamamento que Ele nos faz à salvação, pelo conhecimento de Jesus Cristo. Para tanto, é necessário ter bons propósitos e trabalhar na fé. Fazê-la crescer e desenvolver pelo estudo, oração e perseverança nas boas obras. O cristão e a cristã, assim fortificados, não temem os anúncios proféticos falsos de um fim de mundo iminente, de uma catástrofe mundial, por exemplo, como se fossem as pessoas deste mundo que comandassem a história. Ao longo do caminho, é preciso estar atento para saber discernir o certo do errado, o verdadeiro do falso, o que é um desafio de Deus e o que é o fanatismo dos que andam perturbados ou em busca de protagonismo pessoal. E o caminho para discernir o certo do errado está na Palavra de Deus e numa vida de comunhão e de intimidade com Ele. Tenho consciência de que Deus está no centro da história e de que a salvação não é uma conquista minha, mas um dom de Deus?

Vamos dando passos em direcção ao nosso fim cronológico. Ao vivermos, nestes dias, a solenidade de Todos os Santos e a memória dos Fiéis Defuntos, que os nossos sentimentos e atitudes vão para além de pequenos gestos rituais, que cada ano repetimos. Que estas celebrações nos façam descobrir o Deus-Amor e nos apelem fortemente à conversão a Ele.

XXXI Domingo Comum

Sab 11,22-12,3; Sl 145 (144),1-2.8-9.10-11-13-14; 2 Ts 1,11-2,1; Lc 19,1-10