À Luz da Palavra Aproximamo-nos do fim do ano litúrgico. Por esta razão a Palavra deste domingo orienta-nos para o fim dos tempos, a escatologia, tempo da salvação definitiva. Este momento será de grande aflição, a jeito da parturiente que vê chegar uma nova vida. Assim, para os povos e nações surgirá um novo tempo, porque o Filho do homem, Jesus Cristo, aparecerá pela segunda vez, cheio de poder e glória, a fim de levar consigo os eleitos ou santos de todas as partes da terra e os introduzir para sempre no seio da Santíssima Trindade.
Na primeira leitura, o profeta Daniel, referindo-se à perseguição e morte de muitos judeus por causa da sua fé, sob a autoridade do rei da Síria, abre-lhes um caminho de esperança, anunciando a ressurreição para esses fiéis, que é o início da felicidade para além da sua morte. “Será um tempo de angústia, mas é nesse tempo que virá a salvação para aqueles que estiverem inscritos no livro de Deus”. Simbolicamente, os inscritos no livro de Deus são todos os judeus que viveram com sabedoria divina e que ensinaram a outros o caminho da justiça. Quer, então, dizer que há algumas condições para se poder entrar na felicidade eterna de Deus.
Marcos, na terceira leitura, retoma o estilo literário do profeta Daniel, chamado apocalíptico, e, desenhando um cenário de terror, conta-nos o que serão os últimos tempos. Jesus adverte-nos de que haverá uma ruptura entre o tempo presente e o futuro, acompanhada de sinais, e convida-nos à vigilância e ao discernimento para a espera e para a vinda gloriosa do Senhor, através da parábola da figueira. Quando os ramos da figueira ficam tenros e brotam as folhas, percebemos que está a chegar o Verão. Assim, também, quando perceber-mos os sinais de Deus na nossa vida, que se encaminha para o fim, sabemos que o Senhor está próximo para nos trazer a sua salvação. Mas como não conhecemos nem o dia nem a hora da sua chegada temos necessidade de estarmos atentos, vigilantes e preparados, na expectativa deste grande momento, que será cheio de paz e de alegria e não de terror.
A segunda leitura, extraída da carta aos Hebreus, apresenta-nos as razões teológicas da nossa espera confiante na parusia, isto é, na vinda gloriosa do Senhor. É que em Jesus Sacerdote todos os nossos pecados estão perdoados; n’Ele encontramos a nossa santificação. Aproximando esta ideia da que vem expressa na primeira leitura sobre as pessoas que estão inscritas no livro de Deus, podemos concluir que, afinal, pelo sangue de Jesus, derramado em oferta ao Pai, a todas as pessoas foi dada a possibilidade de se inscreverem no referido livro. Compete a cada uma decidir-se pessoalmente por Jesus e segui-l’O na confiança da glória futura.
Com o salmista, rezemos: “Guardai-me, Senhor, porque esperei em vós. Dar-me-eis a conhecer os caminhos da vida, alegria plena em vossa presença, delícias eternas à vossa direita”.
Leituras do XXXIII Domingo Comum – Ano B
Dan 12,1-3; Sl 15 (16),5.8.9-10.11; Heb 10,11-14.18; Mc 13,24-32
