CNJP deseja «politica sã» e investimento na educação, em mensagem para o Ano Novo

Organismo da Igreja Católica divulgou hoje uma nota sobre a mensagem do Papa para o Dia Mundial da Paz de 2022 e pede investimento na educação e uma política que “seja capaz de garantir os elementares direitos de todos”

A um mês das eleições legislativas, e nas vésperas de mais uma ‘passagem de ano’, a Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) considera ser este o momento fundamental para um “exercício do diálogo”, próprio da democracia.

“O exercício do diálogo podia ser um passo importante para, nas diferenças que são próprias da democracia, se poder falar de ideias, projetos e propostas sem se pôr em causa as pessoas”.

Na missiva hoje tornada pública, e que decalca algumas das ideias centrais da mensagem do Papa para o Dia Mundial da Paz de 2022, o organismo católico afirma ser preciso “abrir um diálogo sério entre as gerações sobre a falta de perspetivas laborais dignas, a ameaça constante do desemprego, as cidades que escorraçam as pessoas para as periferias, as implicações do acentuado envelhecimento da população, o baixíssimo número de nascimentos como se estivéssemos em estado de guerra.”

Olhando para a questão central da “educação das novas gerações”, os responsáveis católicos sustentam a necessidade da existência de “outras respostas” que não as exclusivamente preconizadas pelo Estado e propõem “entrar noutra onda dialógica, num novo paradigma”, que envolva as famílias, comunidades, escolas, universidades, instituições, religiões e governantes.

“Ao falar-se de educação, esta não deve abranger apenas a exclusividade do Estado, mas permitir que outras respostas possam ser tidas em conta de forma verdadeiramente livre para todos, sem complexos”.

Para a CNJP “um país cresce quando dialogam de modo construtivo as suas diversas riquezas culturais: a cultura popular, a cultura universitária, a cultura juvenil, a cultura artística e a cultura tecnológica, a cultura económica e a cultura da família, e a cultura dos meios de comunicação”.

Também as questões do trabalho, da sua digna retribuição, fazem parte do documento com os responsáveis a sustentarem que o “trabalho deve ser remunerado de forma justa” e, lembrando a Regra de Ouro das religiões para o acolhimento dos imigrantes, cada “vez mais revelante para o país”.

“É nesta ótica de diálogo que será possível ter presente no topo dos objetivos das empresas a responsabilidade social, não apenas como um propósito que fica bem”, mas para que sejam “lugares onde se cultiva a dignidade humana, participando por sua vez na construção da paz”.

Aos políticos a CNJP pede que não permitam que “o papel da política” seja “relegado a uma realidade que anda a reboque de interesses menos nobres”, mas “que seja um verdadeiro e generoso serviço capaz de garantir os elementares direitos de todos”.

Educris|30.12.2021

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