Vale a pena interrogarmo-nos e procurar conhecer as razões que levam tantas pessoas a arriscar a sua vida e a tentar salvar a vida dos seus filhos. Porque estará inscrito em cada um de nós habitante deste planeta terra a aspiração à vida? Que direito temos nós (sociedade, políticos, cidadãos) de matarmos esta sede de vida? Vale a pena interrogarmo-nos sobre que direito temos nós de negar a vida, fechando portas, levantado muros de qualquer espécie.

Vale a pena procurar conhecer estas pessoas que nos batem à porta, porque alguém ousou destruir as suas vidas no seu país de origem; questionarmos relativamente aos estados nação que não souberam ou quiseram proteger os seus cidadãos; vale a pena questionar as políticas vigentes, vale a pena redescobrir o poder da cidadania ativa, consciente e humana, pois apesar de tudo encontramos cidadãos e instituições capazes e despertas para o sentido do outro, para minimizar o sofrimento, para dar esperança.

 

Ousar e reforçar gestos de generosidade e solidariedade

Encontramos consciência cívica e pessoas capazes de lutar e ousar políticas mais justas e humanas.

Importa reforçar a consciência de que nesta casa comum, diferentes povos têm que aprender a conviver, que muitas pessoas não querem sair da terra que lhes viu nascer. É nosso dever hoje trabalhar para a educação dos sentidos e do dever cívico, é preciso ousar e reforçar todos os gestos de generosidade e solidariedade. É urgente recuperar e aprofundar o sentido da fraternidade entre povos. É urgente cultivar o diálogo ecuménico e inter-religioso, no sentido de cada vez mais valorizarmos a diversidade que nos caracteriza e cultivar e defender uma humanidade plural e pró-vida.