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A sociedade madeirense é uma sociedade global, plural e poliédrica e multicultural, que influencia quem com ela se cruza e se deixa marcar pelas culturas com que interage. Aberta à diferença, não se deixou agrilhoar às ilhas que a viu nascer: o mar sempre foi uma estrada imensa para onde quer que desejasse ir. E foi, e criou laços, e constituiu família, e prosperou, e manteve a ligação à terra, à cultura, à sua matrizi dentitária e estabeleceu comunidades, e associações e manteve vivo a o espírito madeirense. Levou consigo a autenticidade, a estoicidade, a resiliência, o desejo de vencer e com essas características tão próprias da Madeirensidade ganhou prestígio, influência e relevância nas várias nações de acolhimento.

As grandes comunidades implantadas na Venezuela, África do Sul, Austrália, Reino Unido, Estados Unidos, Brasil, entre outras, são os verdadeiros e melhores embaixadores da nossa  terra e da nossa matriz identitária.

O Governo Regional conhece bem o protagonismo e a importância destas comunidades, que se constituem como um ativo estratégico da Madeira que não poderá ser desvalorizado. Os nossos artistas, os nossos cientistas, os nossos empresários, os nossos milhares de estudantes e licenciados, a nossa gente mais simples e, tantas vezes, a mais dedicada, permitem manter vivas as nossas tradições e constituem, a par com a população residente, o nosso mais valioso património.

Porque próximos das comunidades, intuímos e partilhamos dos seus anseios e ansiedades. Sabemos da grande preocupação que o povo madeirense espalhado por todo o mundo mantém para com a Venezuela e temos vindo a acompanhar de perto a situação política, respeitando, como não poderia deixar de ser, a soberania daquele país amigo, com quem mantemos relações diplomáticas há décadas e que deve encontrar, no quadro das suas instituições, a resolução para os seus problemas internos. Grande parte da nossa comunidade naquele país é composta por cidadãos venezuelanos que certamente estarão disponíveis para ajudar aquela que também é a sua pátria.

Sabemos, igualmente, que os nossos conterrâneos se preocupam com a realidade política e económica do nosso país. Deram o seu contributo durante anos a fio, confiando e investindo nas instituições portuguesas e neste momento sentem-se defraudados e espoliados, pela crise do sistema financeiro que depauperou as poupanças de toda uma vida de trabalho. Este é um capital de confiança que temos, inevitavelmente, de recuperar.

As ligações entre a Diáspora e a Madeira são também uma das suas principais preocupações, e muito concretamente as ligações aéreas com Joanesburgo e Caracas.

No quadro das nossas competências, temos vindo a cooperar institucionalmente com o Governo da República no sentido de ultrapassar estes constrangimentos que têm dificultado a vida às nossas comunidades. De uma coisa podem estar certos: as comunidades madeirenses são uma prioridade política da qual não desistimos nem prescindimos, conforme se confirma pela criação do Fórum Madeira Global e do Conselho da Diáspora Madeirense, criados recentemente e que terão e sua concretização nos dias 8 e 9 de agosto.

Sérgio Marques

Secretário Regional dos Assuntos Parlamentares e Europeus