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DIA DE PORTUGAL

10.06.2017

O que celebra Portugal e os portugueses no dia 10 de Junho? Mais um feriado? Um acontecimento que envolve todos os portugueses, uma festa, que necessita de um dia livre de trabalho, para que as pessoas se possam encontrar e festejar? Mas os portugueses espalhados pelo mundo, os emigrantes, que têm de trabalhar, estarão impedidos de celebrar o Dia de Portugal? Como poderão todos os portugueses, quer trabalhem ou estejam livres, celebrar este dia?

Ainda bem que a designação oficial deste feriado é Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, em que todos os que são e se sentem portugueses poderão comemorar, quer residam em território português ou no estrangeiro. Não com um sentimento nacionalista, exclusivista de todos os outros povos, mas com a alegria de sermos portugueses. Portugal, um jardim à beira mar plantado, é o país mais antigo da Europa nas atuais fronteiras. Temos um grande poeta que cantou e contou a história de Portugal na epopeia os Lusíadas, até ao século XVI, Luís de Camões e temos comunidades de língua portuguesa espalhadas pelo mundo, que não apenas se entendem pela língua, que, segundo Fernando Pessoa, define a pátria de cada um, mas também pela cultura. Sendo esta evolutiva, há no entanto algumas caraterísticas que permanecem ao longo dos séculos. Quais serão elas?

No breve espaço desta mensagem não poderei refletir em profundidade sobre os aspetos que permanecem na cultura portuguesa através dos tempos. Vou apenas mencionar um, pedindo aos leitores a benevolência para a minha ousadia.

Somos um povo da saudade, de sentimentos ternos e maternos, quase como as mães em relação aos seus filhos e à sua família. Não é por acaso que desde a nossa independência como país somos conhecidos por terra de Santa Maria nem, há cem anos, nas aparições de Fátima, segundo as Memórias da Irmã Lúcia, Nossa Senhora disse que a fé em Portugal se manteria até ao fim dos tempos. Nem é por acaso que a colonização portuguesa criou a mestiçagem e que hoje em dia os portugueses são bem vistos pelos diversos povos para onde emigramos. Tenho tido a graça de participar em muitas festas das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo e sempre ouvi falar bem dos emigrantes portugueses e percebi a veracidade disso.

Neste ano temos muitos acontecimentos que devem alimentar a nossa autoestima, não para nos julgarmos mais que os outros povos, mas para continuar a apreciar as nossas diferenças e as partilharmos com todos. A seleção portuguesa de futebol ganhou em França, em 2016, o campeonato da Europa, Portugal ganhou o festival da canção na Eurovisão e o Papa veio a Fátima juntar-se à multidão de peregrinos para agradecer a Nossa Senhora os seus desvelos de Mãe e os pastorinhos terem sabido acolher a sua mensagem e a transmitirem ao mundo: oração do rosário, sacrifícios pela conversão dos pecadores e amor ao Papa, o homem vestido de branco, para que haja paz no mundo. Ao mesmo tempo o Papa canonizou os pastorinhos Francisco e Jacinta Marto, os primeiros santos não mártires mais jovens da história da Igreja, de 8 e 10 anos, mostrando ao mundo a verdade do Evangelho: Se não voltardes a ser como as criancinhas, não podereis entrar no Reino do Céu (Mt 18, 3).

 

† António Vitalino OCarm, bispo emérito de Beja