À LUZ DA INSTRUÇÃO ERGA MIGRANTES CARITAS CHRISTI
Conferência de Sua Eminência o Cardeal Stephen Fumio Hamao
Presidente do Conselho Pontifício da Pastoral para os Migrantes e Itinerantes
por ocasião do I Encontro Mundial das Comunidades Portuguesas.
Porto, 30 de Março de 2005
1. A Emigração hoje e as Comunidades portuguesas no mundo
A migração das pessoas é, segundo as Organizações internacionais, um dos índices mais significativos da dimensão global do mundo contemporâneo e das suas exigências não só económicas (cfr. a nossa Instrução Erga migrantes caritas Christi: EMCC, 4).
Ao longo da sua história Portugal tem dado uma das contribuições mais significativas a este respeito. No entanto, a actual Emigração apresenta-se não como um facto pontual e transitório, mas um processo social, político, cultural e religioso que deve ser considerado a longo prazo (cfr. Apresentação de EMCC).
Assim, o desenraizamento, o primeiro impacto com outro país e a adaptação inicial constituem a fase mais imediata e evidente que exige lugar para a família, clama casa, trabalho, escola, saúde e acolhimento religioso (ib., 43).
Em tal contexto relevamos que os países das Américas e da Europa foram o sonho de milhões de portugueses. De facto, numerosas Comunidades deixaram a sua Pátria para fixarem as suas residências no estrangeiro, espalhadas hoje em 121 países nos vários continentes. Cidadãos portugueses, luso-descendentes, “novos” emigrantes são, no fundo, três diferentes componentes que convivem juntas. A estes aspectos macroscópicos e gerais temos que acrescentar outras facetas.
Existem, com efeito, os portugueses mais ou menos afortunados, as velhas e novas gerações, os emigrantes “altamente qualificados” – digamos assim – ou os simples trabalhadores à procura de trabalho. Gente comum, homens e mulheres de negócios, da investigação científica ou da arte, vivem lado a lado. São várias Comunidades que partilham, de alguma maneira, o “modo português” de viver e, direi, de pensar e de crer.
2. A exigência pastoral
Esta população constitui um forte apelo pastoral que as Igrejas particulares e a Igreja em Portugal, no seu conjunto, acolheram seriamente. Na realidade, reconhecemos que existiu um forte empenho eclesial, desde o início dos fluxos migratórios. A Igreja em Portugal, e não só, especialmente no pós-guerra, investiu muito em pessoas e em estruturas para um serviço específico aos emigrantes. Os “Centros Missionários” (as Missões e Comunidades Católicas Portuguesas) tornaram-se, e permanecem ainda, lugares de referência significativa para os aspectos fundamentais do viver humano e cristão, além de lugares de encontro, de formação, conforto e apoio social. Contudo, as Comunidades portuguesas no estrangeiro percorreram caminhos diferentes e apresentam uma notável variedade de situações e de modelos pastorais de acompanhamento. Por fim, actualmente processa-se uma inserção que transforma estes cidadãos em residentes permanentes nas Nações que os acolheram.
Todavia, apesar disso, encontram-se zonas de sombras ou de problemas que pedem urgentes intervenções pontuais. Basta recordar a situação dos jovens da segunda e terceira gerações, os desafios da terceira idade, o permanente “vai-e-vem” de um país para outro dos aposentados que vivem na Europa, os “novos” êxodos de pessoas sem trabalho, os problemas familiares de quem vive em Países instáveis económica e politicamente, a mobilidade em contínuo crescimento de intelectuais e profissionais, o problema dos trabalhadores “temporários” das empresas portuguesas no Estrangeiro. Tudo isto requer respostas a exigências diversificadas.
3. A Obra Católica Portuguesa de Migrações
As orientações e a acção da Igreja em Portugal e a Obra Católica Portuguesa de Migrações são destinadas a garantir a Assistência religiosa aos emigrantes portugueses e luso-descendentes envolvidos no processo da Mobilidade humana, a promover nas Comunidades cristãs atitudes e acções em favor dos direitos fundamentais, civis e religiosos e a estimular na própria Comunidade nacional um clima de autêntica solidariedade.
A este respeito, gostaria de lembrar, quatro orientações pastorais previstas na EMCC:
– Manter viva a atenção da Igreja em Portugal sobre os seus novos emigrantes e sobre a segunda e terceira fase da emigração. De facto, apesar da emergência e da primeira inserção estar na maioria das nações, quase no fim, exceptuando-se os recentes e imprevisíveis destinos dos “novos” emigrantes, permanecem problemas, expectativas, exigências de visibilidade e de participação (ib., 38, 42).
– Reavivar a sensibilidade das instituições e da Sociedade portuguesa a favor dos emigrantes, influenciando a Opinião pública, os Ministérios competentes e as Autoridades públicas que se ocupam do sector. Portanto, é necessário recordar o dever de não descurar as Comunidades portuguesas no Estrangeiro que conservam, em igualdade de tratamento com os residentes, todos os seus direitos políticos, sociais, culturais e de informação (ib., 43, 78).
– Manter desperta a atenção das Igrejas particulares que acolheram os imigrantes portugueses no seu território – nas paróquias e movimentos – para que, vivendo a inerente dimensão acolhedora, valorizem as diversidades das diferentes Comunidades, como elementos constitutivos da única Comunhão local (ib., 37, 70, 78, 89, 100).
– Encontrar e apoiar os Agentes pastorais, sacerdotes, religiosos/as e leigos/as, acompanhando as Missões/Comunidades Católicas Portuguesas num caminho aberto, dialogante e de comunhão, encorajando a formação e sustentando a informação (ib., 79-88).
4. Os Agentes pastorais
A quarta orientação parece-nos de particular importância. De facto, hoje mais do que ontem, são necessários agentes pastorais que sejam evangelizadores e guias capazes de apoiar as Comunidades de origem portuguesa na sua inserção, de modo original e co-responsável, nas Comunidades de acolhimento.
A Instrução EMCC considera três categorias de agentes pastorais:
– Os presbíteros diocesanos (ib., 79)
Em Portugal muitas dioceses desenvolveram uma acção concreta e solícita em favor dos fiéis “diocesanos” que deixaram a sua terra. Foram criados boletins paroquiais, a fim de manterem contactos, e muitos párocos e bispos fizeram e continuam a fazer viagens pastorais para visitarem os seus paroquianos e diocesanos no Estrangeiro. A este propósito, deve aumentar, na medida do possível, a generosidade das dioceses portuguesas – do Continente e das Regiões Autónomas da Madeira e Açores – no envio de sacerdotes para o serviço das Igrejas Particulares estrangeiras, a fim de realizar uma pastoral específica junto das Comunidades portuguesas. Um serviço, ainda que temporário ou por um período determinado, poderia significar realmente um “investimento” precioso também para um sacerdote diocesano e para o seu Bispo, de acordo com os Planos Pastorais da diocese. Também queremos assinalar o enorme esforço de muitos presbíteros diocesanos dos países de acolhimento que, ao longo destes anos, e de modo especial nos momentos de maior emergência social da emigração portuguesa, aprenderam a vossa língua e se “inculturaram” na cultura e religiosidade portuguesas.
– Os Religiosos/as (ib., 80-85)
Um grande empenho pastoral tem sido praticado em Portugal pelos Institutos Religiosos, que têm formado e enviado muitos agentes para o serviço dos seus emigrantes. As Missões/Comunidades Católicas Portuguesas, ajudadas pelas Famílias religiosas e Congregações missionárias, usufruíram assim de uma boa presença e colaboração de religiosos portugueses e de outras nacionalidades.
Também as Religiosas e Missionárias estão hoje cada vez mais empenhadas a este respeito, como testemunhas de vida comunitária, e com a prática dos três conselhos evangélicos. As actividades realizadas por estas mulheres – religiosas e missionárias – são muitas e diversificadas: grupos de reflexão bíblica sobre o Evangelho, catequese das crianças e adultos, pastoral da saúde, da escola, das prisões, anúncio evangélico, animação juvenil, animação litúrgica, apoio social e espiritual a idosos, atenção às famílias e jovens em dificuldades.
– Os Leigos/as (ib., 86-88)
Os leigos e leigas vivem intensamente o seu dever de animadores da comunidade, inclusive nos Conselhos Pastorais. Porque alguns colaboram directamente na orientação da comunidade, seria oportuno organizar para eles Cursos de formação teológico-pastoral. Existem efectivamente leigos e leigas que receberam a “missio canónica”, outros exercem, através de uma actividade “profissional” remunerada, serviços administrativos e de funcionamento. Muitos voluntários, entre eles encontrando-se um significativo grupo de cristãos de outros países lusófonos, constituem a força mais preciosa da vitalidade das Comunidades Católicas Portuguesas e de Língua Portuguesa no estrangeiro. Portanto, deve ser garantida a todos, portugueses e também ao número crescente de emigrantes lusófonos, uma adequada Formação Bíblica e Espiritual para que se tornem verdadeiras testemunhas de caridade e de solidariedade nas Comunidades cristãs.
5. As prioridades pastorais
Os agentes e as estruturas pastorais são hoje considerados partes integrantes da Comunidade local e têm aprendido a projectar e a realizar em conjunto as suas actividades. Cada vez mais a Igreja concebe-se como comunhão de pequenas comunidades que procuram maior envolvimento na Igreja particular em todas as suas articulações, sem perder o vínculo com as próprias raízes e Igreja em Portugal. Por outro lado, alguns Centros missionários/Comunidades Católicas Portuguesas encontram dificuldades em se adequar a uma Pastoral intercultural e inter-religiosa.
De seguida, passo a citar as prioridades pastorais sobre as quais me parece oportuno reflectir convosco, em vista do futuro serviço pastoral específico aos Portugueses no mundo:
– Começo por referir a formação (ib., 76, 79, 88)
Numa pastoral que requer uma constante renovação e uma notável capacidade de exemplaridade e decisão nas Igrejas particulares, é necessário que haja um compromisso coordenado na formação e requalificação dos responsáveis pastorais para que se empenhem na vivência da característica da “catolicidade” e na prática da “comunhão nas diversidades”, como fruto da presença de tantos imigrantes e refugiados. O respeito pelas recíprocas identidades não é fácil, nem mesmo no interior da própria Igreja Católica.
– O segundo aspecto digno de reflexão é a renovação dos agentes pastorais.
O êxodo crescente de “novos emigrantes” portugueses, sobretudo, rumo à Europa, o crescimento da mobilidade de trabalhadores para a agricultura, a pesca e a hotelaria, o movimento de empresários, investigadores, outros profissionais e de estudantes para o estrangeiro, torna ainda mais urgente o envio de novos agentes pastorais. O envelhecimento progressivo dos missionários/capelães – sacerdotes, religiosas e leigos – de facto, torna real o risco de deixar a descoberto muitas áreas importantes da pastoral e de comprometer a gradualidade da integração eclesial.
¬ Enfim, uma palavra sobre a informação (ib., 35, 78)
Para os migrantes é vital manter o vínculo com as Comunidades de origem, oferecendo bases de análise e de interpretação sobre a evolução da Sociedade, sugerindo pontos de reflexão e de animação religiosa, assim como fornecendo notícias especializadas. Quanto à Imprensa, a presença missionária pode realizar-se também a nível da televisão e da rádio (e vós tendes a benemérita Radio Renascença) e do uso da Internet (a atenta Agência Ecclesia). Parece-nos útil, portanto, o esforço de coordenar a Imprensa católica existente na Emigração e também de favorecer sinergias com a Imprensa regional e nacional de inspiração cristã em Portugal para garantir uma troca de notícias, imagens, experiências e visões.
6. Fundar comunidades vivas
O mundo dos portugueses no estrangeiro – salvo erro – está destinado a tornar-se cada vez mais um misto de “descendestes de Portugal”, desde os cidadãos idosos aos “novos” emigrantes. Numa tal situação é necessário defender a identidade cultural do emigrante (ib., 78) transformando-a, porém, em presença cada vez mais qualificada e marcada pela abertura. De facto, a verdadeira cultura, para o ser realmente, deverá abrir-se à interculturalidade.
É certo que as Comunidades portuguesas no estrangeiro têm uma história e uma dinâmica próprias pelas quais, mesmo caminhando com a história dos Países de acolhimento, encontram a sua coerência interna numa comum matriz cultural e, direi, também religiosa. Por outro lado, as Comunidades mudaram, ou estão a mudar. Assim, não existem mais Comunidades homogéneas, imersas como estão numa sociedade pluralista, uma vez que os seus membros têm interesses e preocupações diferentes. Alguns também não têm mais vínculos vivos com Portugal. E, todavia, estas Comunidades mantêm elementos e traços da cultura portuguesa e são o resultado da necessidade de se encontrarem, não obstante, como Comunidade portuguesa, para a qual necessitam de pastores do seu idioma e cultura (v. Apresentação da EMCC, e ib, 78,91).
Conclusão
Num clima de crescente indiferença religiosa e de descristianização, que atinge com profundidade também muitas Comunidades portuguesas residentes no estrangeiro, torna-se prioritário o anúncio da Boa-nova na situação de vida em mobilidade humana – é a nova evangelização!
Graças a uma chave de leitura especial da própria história, e conscientes da própria identidade cultural, num mundo diferenciado por um forte processo de homologação e nivelamento cultural, os Portugueses no mundo são chamados pois a redescobrir a vocação para o diálogo com outras culturas e a amadurecer a disponibilidade para a colaboração e a co-responsabilidade, para se assim continuarem a sentirem-se protagonistas do projecto comum de uma Igreja que não considera ninguém como “estrangeiro” (cfr. Apresentação).
Hoje, a acção pastoral para os emigrantes e suas famílias está a tornar-se testemunha nova e providencial, onde a atenção se abre para os emigrantes de todas as etnias, nacionalidades, culturas e religiões. As estruturas são, portanto, colocadas à disposição generosa de todos, num quadro de unidade pastoral, e os agentes pastorais prestam um serviço a todas as componentes da comunidade cristã local de acolhimento, da Igreja particular.
O facto de Portugal, hoje, sem deixar de ser terra de onde ainda se parte, ser também um País de imigração, deve ser ocasião, não só para ousar ter presente a memória histórica, mas, sobretudo, de lançar um apelo à cidadania, à solidariedade e corresponsabilidade cristãs (ib., 9). O empenhamento antigo e, agora, renovado para com as Comunidades Portuguesas no mundo não deve prejudicar, nem adiar o compromisso no acolhimento generoso aos imigrantes e refugiados em Portugal. Também aqui se trata, mais uma vez, de Nova Evangelização!
Card. Stephen Fumio Hamao
Conselho Pontificio para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes (CPPMI)
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(versão em italiano)
L’ISTRUZIONE
ERGA MIGRANTES CARITAS CHRISTI
E LA CHIESA IN PORTOGALLO
Conferenza del Cardinale Stephen Fumio Hamao,
Presidente del Pontificio Consiglio della Pastorale per i Migranti e gli Itineranti
in occasione dell’Incontro mondiale dei portoghesi all’estero
Porto- Portogallo, 31 marzo 2005
1. L’emigrazione oggi e le comunità portoghesi nel mondo
La migrazione delle persone è, secondo le Organizzazioni internazionali, uno degli indici più significativi della dimensione globale del mondo contemporaneo e delle sue esigenze non solo economiche (cfr. EMCC, 4).
Il Portogallo ha dato, a questo riguardo, uno degli apporti più significativi. L’emigrazione poi non è un fatto puntuale e transitorio, ma una lunga storia, un processo sociale, politico, culturale e religioso (cfr. Presentazione di EMCC).
In ogni caso lo sradicamento, il primo impatto con un altro Paese e la prima sistemazione costituiscono la fase più immediata ed evidente che domanda posto per la famiglia, la casa, il lavoro, la scuola, la salute, una sistemazione nel quartiere, un’accoglienza religiosa (Ib., 43).
In tale contesto rileviamo che i Paesi delle Americhe e dell’Europa furono il miraggio di tanti portoghesi. Ne sono una riprova numerose comunità che hanno fissato all’estero la loro residenza, disseminate nei vari continenti.
Cittadini portoghesi, oriundi, nuovi emigrati sono in fondo tre componenti diverse che convivono insieme. A questi aspetti macroscopici e generali vanno aggiunte altre sfaccettature. Vi sono in effetti portoghesi più o meno fortunati, vecchie e nuove generazioni, emigrati di “alto profilo” – diciamo così – o semplicemente alla ricerca di lavoro. Gente comune, uomini e donne del commercio, della ricerca scientifica o dell’arte vivono cioè gli uni accanto agli altri. Sono varie comunità che condividono comunque il “modo portoghese” di vivere e, direi, di pensare, di credere.
2. L’esigenza pastorale
Questa popolazione costituì un forte appello pastorale che le Chiese particolari e la Chiesa portoghese accolsero seriamente. Un forte impegno ecclesiale fu infatti profuso fin dall’inizio dei flussi migratori.
La Chiesa portoghese, e non solo, specialmente nel dopoguerra, investì molto in persone e strutture per un servizio ai propri emigrati. I centri missionari diventarono, e restano ancora, luogo di riferimento significativo per gli aspetti fondanti del vivere umano e cristiano, oltre che luogo di ritrovo, conforto e sostegno. Comunque le comunità portoghesi all’estero hanno percorso strade differenti e presentano una notevole varietà di situazioni. E’ peraltro in atto un processo di assestamento che trasforma questi cittadini in residenti permanenti nelle Nazioni che li hanno accolti.
Ciò tuttavia non significa che non si riscontrino zone d’ombra o problemi che richiedono interventi puntuali. Basti ricordare i giovani della seconda e terza generazione, le sfide della terza età, il pendolarismo di molti pensionati che vivono in Europa, i nuovi esodi di persone senza lavoro, la mobilità in continuo aumento di intellettuali e professionisti, il problema dei lavoratori al seguito delle imprese portoghesi all’estero. Tutto questo richiede risposte ad esigenze diversificate.
3. La “Obra Católica Portuguesa de Migraçoes”
Gli orientamenti e l’opera della Chiesa in Portogallo e la “Obra Católica” sono indirizzati ad assicurare l’assistenza religiosa degli emigrati portoghesi coinvolti nel processo di mobilità umana, a promuovere nelle comunità cristiane atteggiamenti e azioni di condivisione dei diritti fondamentali, civili e religiosi, e a stimolare nella stessa comunità civile un clima di autentica solidarietà.
A tale riguardo, quattro sono gli orientamenti pastorali che la EMCC prevede:
– Tenere desta l’attenzione della Chiesa portoghese sui suoi nuovi emigrati e sulla seconda e terza fase dell’emigrazione. L’emergenza infatti e la prima sistemazione sono quasi finite, ma rimangono problemi, attese e domande di visibilità e partecipazione (Ib., 38, 42).
– Ravvivare la sensibilità delle istituzioni e della società portoghese a favore degli emigrati, influendo sull’opinione pubblica, sui Ministeri competenti e sulle autorità pubbliche che si occupano del settore. Bisognerà dunque richiamare il dovere di non trascurare le comunità portoghesi all’estero che conservano tutti i loro diritti politici, sociali, culturali e di informazione (Ib.,43, 78).
– Tenere desta l’attenzione delle Chiese particolari che hanno accolto immigrati portoghesi nel loro territorio, perché, vivendo la costitutiva dimensione missionaria, mettano in valore le diversità delle differenti comunità, quali elementi costitutivi dell’unica comunione locale (Ib., 37, 70, 78, 89, 100).
– Reperire e sostenere gli operatori pastorali, sacerdoti, religiosi/e e laici, accompagnando le missioni/cappellanie portoghesi per un cammino aperto, dialogante e di comunione, incoraggiando la formazione e sostenendo l’informazione (Ib., 41, 79-88).
4. Gli operatori pastorali
Il quarto predetto orientamento ci sembra di particolare importanza. Oggi, infatti, e più di ieri, sono richiesti agenti pastorali che siano evangelizzatori e guide capaci di sostenere le comunità di origine portoghese nell’inserimento in modo originale e corresponsabile nelle comunità di accoglienza.
La EMCC considera tre categorie di operatori pastorali, vale a dire:
– I presbiteri diocesani (Ib.,79)
Molte diocesi attivarono un’azione concreta e sollecita in favore dei cristiani che lasciarono la loro terra. Nacquero bollettini parrocchiali per mantenere i contatti e molti parroci compirono viaggi pastorali in visita ai loro parrocchiani all’estero.
In proposito, deve aumentare, nella misura del possibile, la generosità delle diocesi portoghesi nell’inviare sacerdoti a servizio delle Chiese particolari estere per una pastorale specifica alle comunità portoghesi. Un servizio, anche se temporaneo o per un periodo determinato, potrebbe significare in effetti un “investimento” prezioso anche per un sacerdote diocesano.
– I Religiosi/e (Ib., 80-85)
Grande impegno pastorale è stato profuso dagli Istituti religiosi, che hanno formato e inviato molti operatori a servizio dei vostri emigrati. Le Missioni Cattoliche portoghesi, servite dalle famiglie religiose, hanno così goduto di una presenza e collaborazione meglio garantite.
Anche le Religiose sono oggi sempre più impegnate al riguardo con testimonianza di vita comunitaria, oltre che con l’esercizio dei tre voti religiosi. Le attività realizzate da tutte costoro sono molte e diversificate: gruppi del vangelo, pastorale della sanità, scuola, catechesi, animazione giovanile, sostegno agli anziani e vicinanza alle famiglie in difficoltà, oltre che nella realtà di annuncio evangelico.
– I Laici (Ib., 86-88)
I Laici vivono intensamente il loro compito di animazione della comunità, anche nei Consigli pastorali. Poiché alcuni collaborano direttamente nella conduzione della comunità, sarebbe opportuno organizzare corsi di formazione teologico¬pastorale. Vi sono laici che hanno ricevuto altresì una “missio canonica”; altri assicurano, attraverso una attività professionale remunerata, servizi amministrativi e di funzionamento. Moltissimi volontari costituiscono poi la forza più preziosa della vitalità delle comunità portoghesi all’estero. A tutti deve essere dunque assicurata una adeguata formazione spirituale perché diventino veri testimoni di carità e di solidarietà nelle comunità cristiane.
5. Le priorità pastorali
Oggi gli operatori e le strutture pastorali sono considerati una componente della comunità locale e abbiamo imparato a progettare e operare insieme. La Chiesa si concepisce, sempre più, come comunione di piccole comunità con ricerca di maggiore coinvolgimento nella Chiesa particolare in tutte le sue articolazioni, sorretti tutti da un legame con le proprie radici e la Chiesa in Portogallo. Alcuni centri missionari/cappellanie portoghesi faticano peraltro
nell’adeguarsi ad una pastorale interculturale e anche interreligiosa.
Queste sono comunque le priorità pastorali sulle quali mi sembrerebbe opportuno puntare per i prossimi anni, in vista di un servizio pastorale specifico al portogl-ιesi nel mondo:
– La formazione (Ib.,76, 79, 88)
In una pastorale che richiede un costante aggiornamento e una notevole capacità di esemplarità e incisività presso le Chiese particolari, occorre un impegno coordinato nella formazione e riqualificazione dei responsabili pastorali perché si impegnino a vivere la nota della cattolicità e a praticare la comunione nelle diversità, frutto della presenza di tanti immigrati. Il rispetto delle reciproche identità non è cosa facile e scontata, nemmeno all’interno della Chiesa Cattolica.
– Rinnovamento degli operatori pastorali
L’esodo di nuovi portoghesi verso l’Europa, l’aumento della mobilità professionale di imprenditori, ricercatori e altri professionisti, nonché di studenti all’estero, rende ancora più urgente l’invio di nuovi operatori pastorali. L’invecchiamento progressivo dei missionari/cappellani, infatti, rende reale il rischio di lasciare scoperte molte importanti aree pastorali.
– L’informazione (Ib., 35, 78)
E’ molto importante mantenere il collegamento con la comunità d’origine, offrendo spunti di analisi sulla evoluzione della società ed interpretandone l’evoluzione, suggerendo spunti di riflessione e di animazione religiosa, fornendo altresì notizie specializzate. Accanto alla carta stampata, la presenza missionaria si può esplicitare anche a livello della radio (e voi avete qui la benemerita Radio Renascenca) e di utilizzo di internet. Ci sembra molto utile pertanto coordinare la stampa cattolica di emigrazione e favorire sinergie anche con quella di ispirazione cristiana in Portogallo per garantire uno scambio di notizie.
6. Fondare comunità vive
Il mondo dei portoghesi all’estero – se non andiamo errati – è destinato a diventare sempre più un misto di oriundi, di cittadini anziani e di nuovi emigrati. In una tale situazione è necessario difendere nell’emigrato la sua identità culturale (Ib.,78). Questo però significa altresì trasformarla in presenza sempre più qualificata e aperta. La cultura vera, infatti, per essere tale, deve aprirsi all’interculturalità.
Le comunità portoghesi all’estero hanno una storia e una dinamica propria – certo – per cui, pur camminando con la storia dei Paesi di accoglienza, trovano una loro coerenza interna in una comune matrice culturale e, direi, anche religiosa. Le comunità sono cambiate, peraltro, o stanno cambiando: non sono più così omogenee, immerse – come sono – in una società pluralista, mentre i loro membri hanno interessi e appartenenze diverse, anzi alcuni non hanno più legami vivi con il Portogallo. E tuttavia queste comunità mantengono elementi e tratti di cultura portoghese e sono il frutto del bisogno di incontrarsi, nonostante tutto, come comunità portoghese per cui necessitano di pastori della loro lingua e cultura (v. Presentazione dell’EMCC, e Ib., 78,91).
Coпclusione
In un clima di crescente indifferenza religiosa e di scristianizzazione, che intacca profondamente anche molte comunità portoghesi residenti all’estero, diventa prioritario l’annuncio della buona novella, la nuova evangelizzazione nella realtà della mobilità umana.
Grazie a una lettura in chiave sapienziale della propria storia e alla consapevolezza della propria identità culturale, in un mondo contraddistinto da un forte processo di omologazione e di appiattimento culturale, i portoghesi sono chiamati quindi a scoprire la vocazione al dialogo con le altre culture e a maturare la disponibilità alla collaborazione e alla corresponsabilità, per sentirsi protagonisti del medesimo progetto di una Chiesa che non considera nessuno straniero (cfr. Presentazione).
Oggi l’azione pastorale per gli emigrati nel mondo sta diventando una testimonianza nuova e provvidenziale, dove l’attenzione si apre a tutti gli emigrati, di ogni etnia, cultura e religione. Le strutture sono quindi messe a disposizione in un quadro di unità pastorale e gli operatori pastorali si fanno carico di un servizio a tutte le componenti della comunità cristiana locale di accoglienza, la Chiesa particolare.
Il fatto poi che il Portogallo sia diventato oggi anche Paese di immigrazione, deve diventare non solo un richiamo alla memoria storica, ma soprattutto un appello alla solidarietà e responsabilità cristiana (Ib., 9). L’impegno per le comunità portoghesi nel mondo non deve andare a discapito di quello per accogliere gli immigrati in Portogallo. Si tratta anche qui di nuova evangelizzazione
Card. Stephen Fumio Hamao
presdiente del Pontificio Consiglio per la Pastorale dei Migranti e Itineranti