O frade dominicano Eugénio Boléo está desde 2001 na capital da Bélgica, em Bruxelas, onde acompanha as dificuldades e desafios da comunidade portuguesa, como as distâncias da igreja e a língua, que, atualmente, são cerca de 80 mil pessoas.
O frade português começa por destacar que a Bélgica tem um contexto específico por causa dos “milhares de funcionários da União Europeia, que têm um estatuto civil diferente” dos outros emigrantes.
“Numa cidade como Bruxelas, que é do tamanho de Lisboa há mais de 140 nacionalidades. Um universo muito mais pequeno que Paris e Londres as pessoas têm vizinhos de todas as línguas, culturas e muda a situação dos portugueses”, explicou à Agência ECCLESIA.
Frei Eugénio Boléo assinala que a língua “é muito importante” e importantes”: “Acham que o português não vale nada embora seja a terceira língua europeia de expressão mundial.”
O frade dominicano alerta que as crianças “quase nem falam” a língua materna e os que falam “um bocadinho” não leem nem escrevem e existe “toda uma parte da cultura” que lhes “escapa”.
A viver na Comunidade Internacional dos Padres Dominicanos de Bruxelas, desde 2001, o religioso português conta que as pessoas “vivem todas muito dispersas das Igrejas onde há missa em português e têm de fazer entre 10 a 20 quilómetros para participarem na Eucaristia.
Ter os filhos na frequentar a catequese em português “é um esforço enorme” e nas duas comunidades na capital da Bélgica, Bruxelas, esta formação cristã inicial é “o tesouro”, mesmo com “muitas dificuldades”.
“As crianças mais pequenas não falam português e a catequese tem de ser quase bilingue mas é tesouro”, acrescenta.
Frei Eugenio Boléo comenta ainda a grande diferença, para melhor, no trabalho das mulheres ao longo dos últimos 10 anos porque quando chegou “a grande parte era ilegal”.
“A maioria trabalha ligada às limpezas, porteiras e há uns 10 anos ficaram quase todas legais o que melhorou muito o estatuto, descontam, têm segurança social, conta para a reforma. Antes dependiam muito dos maridos e hoje sentem-se muito mais à vontade, mais seguras”, desenvolveu.
As declarações do frade português resultam de uma parceria com o programa de rádio ‘Raízes de Cá’, da RCF Bruxelles.