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Acordamos hoje, com a triste notícia do falecimento do António Francisco dos Santos, presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social Mobilidade Humana.

Agradecemos as condolências até agora enviadas e gostaria de solicitar  que  nos auxiliassem na homenagem merecida que lhe queremos prestar.

No fundo pedia-vos a memória do impacto do Serviço que prestou no campo das migrações, a menina dos seus olhos.

Nesta hora de pesar que memórias de gratidão? Após a recolha colocaremos na nossa página.

Em comunhão e unidos em oração

Obra Católica Portuguesa de Migrações

LUTO NA IGREJA EM PORTUGAL
Oremos pelo eterno descanso do senhor bispo do Porto que a nossa Comunidade de Língua Portuguesa do Luxemburgo teve a alegria de acolher em Maio de 2016 na sua visita pastoral à Diáspora.
O saudoso D. António Francisco dos Santos era o actual presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana (Migrações).
Enquanto esteve no meio de nós visitou Esch-sur-Alzette, Cidade do Luxemburgo, Schieren, a Comunidade da Prisão de Schrassig e presidiu à 49ª Peregrinação nacional ao Santuário de Wiltz.
Recordemos o bom pastor do Porto na esperança e na gratidão a Deus.
Oremos em silêncio.

Apresentamos à Diocese do Porto, Conferência Episcopal Portuguesa, Comissão Episcopal da Mobilidade Humana e à Obra Católica Portuguesa de Migrações as nossas sinceras condolências.
Contai com a oração na esperança da Comunidade Portuguesa e Lusófona do Luxemburgo.

P. Rui M. da Silva Pedro cs.

Partiu um amigo da nossa família
Hoje morreu um Homem Santo!
Um Homem Santo, que antes de ser Bispo era Padre, e antes de ser Padre era um Homem, e era um Homem bom.
Um Homem Santo, que transbordava alegria no olhar, e a todos deixava alegres.
Um Homem Santo, capaz de deixar tudo e todos para vir abraçar uma criança do outro lado da multidão, e que se baixava para lhe apertar os atacadores dos sapatos “para que não tropeces”.
Um Homem Santo, que deixava a cadeira do poder para ir jantar com os pobres, mesmo sem se saber e sem necessidade que se soubesse.
Um Homem Santo, sempre preocupado com todos mais do que consigo mesmo.
Um Homem Santo, muitas vezes só como muitos estão sós em cidades grandes cheias de gente.
Um Homem Santo, simples humilde sincero, que aproveitava a visita dos amigos para “fugir” dar uma volta a pé e acabar Feliz no Santini a comer um gelado…
Hoje morreu um Homem Santo, partiu para a “Casa do Pai”, como tantas vezes dizia, que lá tenha o descanso merecido. Para esta família simples este Santo permanecerá.
Que interceda por nós Dom António Francisco, querido amigo.
Zé Cupido Ventura e Sónia Cunha Neves

Um homem bom. uma perda imensa

“É preciso que a Igreja ouça quem dela fala e leia quem sobre ela escreve”. O apelo de D. António ecoou na Igreja dos Clérigos, naquele apressado final de tarde. Já maio se fazia junho. A hora e o dia não ajudavam. A assistência ficou aquém. Mas, amigo dos autores do livro* sobre o qual fora convidado a falar, António Francisco não hesitou e foi o primeiro a ter uma palavra de motivação. Explicaria que era impossível ficar indiferente àquela leitura. Que entendia o que o autores queriam dizer à Igreja, aos crentes e não crentes, sobre o Papa Francisco.
Na sua simplicidade e abertura, António Francisco dos Santos era exemplo. Formado na École Pratique de Hautes Études Sociales, em Paris, homem da filosofia e da sociologia, vivera na primeira pessoa a experiência da laicidade francesa, a pastoral dos migrantes, as exigências de um cosmopolitismo em mudança, o desafio de uma Igreja sem amarras para ir ao encontro de cada homem e mulher. Era reconhecido o seu esforço de abrangência. Ainda bispo de Aveiro, impulsionou e apadrinhou encontros e iniciativas que levavam a debate visões díspares sobre assuntos nem sempre fáceis para a Igreja. Era disso que ele gostava. De um diálogo difícil, em ambientes sem alarido mediático, que, na diferença e pela diferença, elucida e aproxima as pessoas do essencial.
Raramente deixava alguém sem resposta. Era um homem de proximidades. Cândido na conversa e suave nas palavras. E de ação discreta. A gestão de uma diocese como a do Porto causava-lhe por isso algum desgaste emocional. Mas nunca o víamos publicamente sem um sorriso.
António era Francisco de nome, mas também de convicção. Um braço do Papa argentino. No estilo, na sintonia das ideias, no discernimento. Foi natural e óbvia a sua posição quando a Conferência Episcopal Portuguesa decidiu levar a votos a sensibilidade dos bispos quanto à possibilidade de os divorciados recasados poderem comungar. Sendo um homem do pensamento, colocava a lei e as normas no seu devido lugar. A pessoa concreta está primeiro.
Ainda agora nos deixou. E já está a fazer muita falta ao país, ao pensamento, em primeiro lugar aos amigos e a todos os que viam nele uma âncora. “Há que fazer sempre o discernimento com os sinais do tempo, assumir os desafios da cultura e estar sempre atento ao sopro imparável do Espírito”, disse naquela tarde na Torre dos Clérigos. Sendo António Francisco isto tudo e tudo o que isto implica, vai ser difícil substituí-lo na Igreja em Portugal. A ala do diálogo, dos que estão com Francisco, o Papa, perdeu um protagonista. Fica a esperança do bispo: “a revolução é mesmo imparável, mas vai precisar de muito tempo para se fazer”.
* Papa Francisco – A Revolução Imparável (Manuscrito), de António Marujo e Joaquim Franco
http://sicnoticias.sapo.pt/opiniao/2017-09-11-Um-homem-bom.-Uma-perda-imensa-1