Imagem Peregrina proporciona Maratona de Oração
As comunidades de língua portuguesa do Sul do Luxemburgo começaram a sua preparação espiritual para acolhimento da Visita da Imagem Peregrina de Fátima, a partir da carta do nosso bispo (Natal 2016) onde ele anunciava o evento diocesano e lançava propostas às paróquias. As comunidades optaram pela recitação comunitária do rosário, valorizando o mês de Maio e têm vindo a assinalar os dias 13 de cada mês.
A Equipa portuguesa de Animação pastoral põs mãos à obra e teceu uma série de reuniões e colóquios com os párocos e equipas pastorais, com vista a desenhar um programa adaptado a cada paróquia e aos dias atribuídos pela Comissão diocesana no calendário geral do mês de Visita.
A Imagem Peregrina visitou o sul do país de sexta-feira, dia 2 de Junho a terça-feira, 6 de Junho. É no Sul que se situam as cidades mais povoadas do Grão-Ducado e as maiores comunidades lusófonas. Durante cinco dias – com um programa comum – a Imagem peregrinou pelas comunidades paroquiais de Petange, Differdange, Esch-sur-Alzette, Dudelange e Bettembourg.
Em todas as paróquias o acolhimento foi surpreendente e inesperado para as expectativas dos párocos luxemburgueses pouco habituados a este tipo de manifestações religiosas. As cerimónias de “Acolhimento”, como do “Adeus” foram muito participadas e sobejamente marcadas pelo sentimento e religiosidade portuguesas, apesar de, não terem atingido os níveis da primeira visita da Imagem ao Luxemburgo em 1947. Uma senhora luxemburguesa revelou que, nessa altura, até as lojas fecharam para que todos pudessem acolher a Imagem naqueles tempos sofridos do pós I Guerra Mundial.
Cada paróquia organizou o seu programa apoiando-se, sobretudo, no dinamismo e nas “forças vivas” das comunidades de língua portuguesa. Foram respeitados os aspectos culturais e devocionais característicos da espiritualidade e liturgia ligadas a Fátima. A coincidência com o tempo de Pentecostes foi extraordinária proporcionando assim a catequese sobre Maria, Mãe de Jesus e o Espírito Santo, alma da Igreja.
No geral, em todas as paróquias, o tempo de permanência da Imagem Peregrina foi ocupado com momentos de oração comunitária, oração silenciosa, recitação do rosário, procissões de rua, sessões de formação bíblica para jovens e adultos, catequeses para crianças sobre a Mensagem de Fátima e Filme sobre vida dos santos pastorinhos, celebrações com doentes e idosos, noite de oração, vêsperas, Eucaristias e Adoração, Consagração e Concertos Musicais, Teatro e actividades lúdicas para crianças. Foi uma maratona de oração, como disse um pároco feliz pela nova experiência pastoral na sua paróquia.
No Sul, terra de multiculturalidade e das três fronteiras, todas as comunidades linguísticas organizadas foram convidadas a integrar o programa intercomunitário para dar visibilidade à universalidade que marca a devoção à Senhora de Fátima, como também a vida e missão da igreja que peregrina nesta região do Luxemburgo. Participaram as comunidades: luxemburguesa, italiana, polaca, vietnamita, caboverdiana, francesa, belga e portuguesa. Foram muitos os cristãos que vieram da França e da vizinha Bélgica. Só para citar um exemplo: a comunidade portuguesa de Mont Saint-Martin (Longwy) juntou-se fraternalmente à paròquia luxemburguesa de Petange. A Visita facilitou o encontro e a colaboração entre as várias comunidades aumentando o sentido de pertença à paróquia e amor à oração.
A celebração do “Adeus” repleta de sentimento, emoção, lágrimas, corações cantantes, lenços brancos permanece para os luxemburgueses um sinal religioso a interpretar e um rito cultural a descodificar paulatinamente no diálogo intercultural. Revela, de forma simples, intensa e teologal, um elemento constitutivo da identidade cultural e da religiosidade popular da comunidade portuguesa, a maior comunidade estrangeira e católica do Grão-Ducado.
R.P.

