7000 CIGANOS SANTOS MÁRTIRES DA ARMÉNIA
Brochura publicada em fevereiro de 2020, da autoria de Renato Rosso. Na capa: ícone da Canonização com um símbolo do povo Cigano. O “dia da Memória” é em 24 de abril.
Apresentação Esta brochura foi escrita para os ciganos italianos, para que conheçam os 7000 ciganos que viveram na Arménia, martirizados, i. é torturados e mortos por não terem renegado a sua fé em Jesus, e a que a Igreja Apostólica Armena já declarou santos. Antecipamos-lhes um facto que os ajudará a ler estas páginas, pensando nos “nossos” (crianças, jovens, mães, pais, anciãs e anciãos) unidos aos arménios no sofrimento e na morte. Uma rapariga cigana tinha iniciado a deportação numa caravana com dez mulheres e raparigas, oito das quais eram ciganas. Um jovem turco, enquanto acompanhava o comboio dos deportados. foi conquistado pela beleza dessa rapariga e propôs-lhe que se salvasse tornando-se muçulmana, casando com ele e assim evitando a morte. Mas a rapariga respondeu: “porque não te tornas tu cristão e assim caso-me contigo”. A recusa despertou no jovem todas as fúrias e ela foi imediatamente torturada. Em seguida, foi-lhe amputado um peito, mas ela permanecendo sempre firme na sua fé, foi reduzida a muitos pequenos pedaços.
Já conhecíamos os ciganos espanhóis Beato Zeferino e a Beata Emília, mártires do Rosário e um terceiro, Juan Ramón, para o qual foi aberta a “causa de beatificação” junto da Congregação dos Santos no Vaticano. Agora, através da pesquisa que Dom Renato Rosso fez entre os ciganos da Arménia e entre os documentos que a história daquele país preservou, apresentamos o mais numeroso grupo de mártires cristãos da história. Apoiados e encorajados por um tão grande número de testemunhos, percorremos decididamente o caminho que o próprio Deus nos propõe.
Podeis ler esta palavra de Deus na carta aos Hebreus 12.
Um amigo
Deus disse ao profeta Elias: “Mas eu escolhi para mim sete mil pessoas, todas as que não dobraram os joelhos diante de Baal e não o beijaram com sua boca”. (1 Re 19,18)
Introdução
A Arménia é o país em que teve lugar o martírio de 7000 ciganos, em junho de 1915.
A região da Arménia era um pequeno estado circundado pelo grande império turco. É descrita também na Bíblia como um paraíso terreno, exatamente na zona entre os dois rios Tigre e Eufrates, que são a beleza e a preciosidade da Arménia. Infelizmente aquela região transformou-se depois no túmulo para muitos dos seus habitantes. Sabendo-se que naqueles anos, os ciganos na Arménia eram cristãos, era natural que pudessem ser perseguidos como os outros cristãos arménios; de facto, entre 1915 e 1918, 1.500.000 foram mortos por se terem recusado a acolher a religião muçulmana. Eis a história: a Turquia queria tornar-se um grande império que não tivesse mais medo de nenhum povo e com uma única religião praticada – o islão.
A Arménia, o primeiro estado cristão no mundo, pela sua posição geográfica toda contornada pela Turquia, tornou-se ponto de apoio para diversos países, entre os quais a França e a Rússia. Isto perturbava os turcos que sempre preferiram absorvê-la no seu grande império. A estratégia foi a de tentar converter todos os cristãos da Arménia ao islão. Se estes tivessem aceitado mudar de religião, o império islâmico seria aumentado em dois milhões de pessoas com vantagem apreciável; considerando que os arménios eram certamente mais preparados culturalmente de facto, depois deles, muitos tinham frequentado as escolas superiores e a universidade e se tivessem aceite o islão, tê-lo-iam certamente enriquecido sob diversos pontos de vista. Os muçulmanos pensaram que converter os cristãos teria sido fácil, mas não foi assim. O partido dos “jovens turcos” tomaram o poder e quiseram imediatamente realizar aquele projeto: um único império turco e a única religião islâmica. Segundo eles, a Arménia cristã teria que converter-se ao islão e desaparecer como estado.