Vivem a fé, testemunham a fé; são católicos, são ciganos.

EDITORIAL
A COMUNIDADE CIGANA CATÓLICA DO FOGUETEIRO
Vivem a fé, testemunham a fé; são católicos, são ciganos. Vivem as enormes dificuldades económicas de qualquer comunidade cigana que conta com a sua cultura e com as suas qualidades naturais para subsistir, num mundo em que a iliteracia é castigada. Lutam com as limitações do sistema de saúde em Portugal: os tratamentos dentários são inacessíveis porque não há dinheiro para os pagar e no Estado não existem. Os mais novos já vão indo à escola, os mais velhos são analfabetos – mas são felizes, com uma felicidade profunda em que poucos valores têm valor: um dos quais é a fé.
Pequena comunidade em que se destaca uma numerosa família de 8 irmãos, órfãos de pai desde o ano passado, fez agora um ano. Tinha estado a mediar um conflito local quando foi acometido por um ataque de coração fatal. São os frequentadores mais assíduos do Projecto PALAVRA 2, às terças feiras à tarde: rezam, tentam compreender quem é Deus e o que é que Ele nos disse através da sua Palavra. Quando alguém mais novo faz barulho, logo outro diz: “deixa ouvir”. O Pai Nosso é sempre entusiasticamente rezado embora dificilmente decorado: o Pai está nos seus corações, a fórmula é imanente.
A comunidade reúne-se nas instalações do CEFEM (Centro Europeu de Formação e Estudo sobre Migrações) que miraculosamente as consegue manter abertas e que tem dinamizado a evangelização desta comunidade cigana da Paróquia da Amora, Seixal, Sul do Tejo; a comunidade vai crescendo, os Sacramentos do Baptismo (ver notícia neste número) e da Eucaristia vão-se multiplicando, com o apoio dedicado e inclusivo da Paróquia.
Ser cigano e ser católico; ser economicamente débil mas feliz; dar testemunho dessa felicidade que não se compra, que é um dom de Deus como o é a fé. É assim a comunidade cigana católica do Fogueteiro.
Francisco Monteiro