Recebi, não há muito tempo, um documento “Orientações para uma Pastoral dos Ciganos”, emanado do Conselho Pontifício da Pastoral para os Migrantes e Itinerantes.
A EVANGELIZAÇÃO DOS CIGANOS É TAREFA DE TODA A IGREJA….
Recebi, não há muito tempo, um documento “Orientações para uma Pastoral dos Ciganos”, emanado do Conselho Pontifício da Pastoral para os Migrantes e Itinerantes.
Li e reli … e conclui muito interessante.
Quando me preparava para escrever o Editorial para “A Caravana” recordei o Capítulo V “Aspectos Particulares da Pastoral para os Ciganos” e muito concretamente o número 57, “A Evangelização dos Ciganos é missão de toda a Igreja, dado que nenhum cristão deveria ficar indiferente perante situações de marginalização ou de distanciamento da comunhão eclesial. Apesar de a pastoral para os Ciganos ter uma especificidade própria e exigir aos seus protagonistas directos uma formação cuidada e específica, uma atitude de acolhimento deve, assim, manifestar-se em toda a comunidade católica. É assim necessário sensibilizar principalmente todo o Povo de Deus não apenas no sentido de superar as hostilidades, a rejeição ou a indiferença, mas também no de alcançar um comportamento abertamente positivo no relacionamento com os nossos irmãos e irmãs ciganos”.
A este propósito recordo a história do homem do comboio. “Um homem sabia de memória o horário de todos os comboios. O seu maior prazer era ir para a estação e passar horas e horas a contemplar a chegada e saída dos comboios. Observava maravilhado a força das locomotivas, as imensas carruagens, as pessoas que saíam e desciam. Sabia inclusivamente quanto custava um bilhete de primeira e de segunda.
Nunca ia ao cinema, nem ao café, nem à praia. Não tinha rádio nem televisão. Não lia jornais nem livros. Não tinha tempo apara essas distracções, porque todo o tempo livre era passado na estação de caminho-de-ferro.
Aconteceu que, um dia, alguém lhe perguntou a hora de saída de um comboio. Ficou radiante e quis saber com exactidão qual era o destino da viagem. E não deixou ir embora o passageiro enquanto não lhe disse a hora do comboio, o número de vagões que levava, as ligações possíveis… Tantas explicações que o passageiro perdeu o comboio. Contudo, por estranho que pareça, este nosso homem nunca entrou num comboio. Dizia que não precisava de subir para o comboio, porque já sabia de antemão onde ia chegar, a que hora e quais eram as estações e as características do comboio”.
O homem dos comboios tinha a teoria, mas faltava-lhe a prática, a experiência de vida.
Tantos cristãos sabem tudo a respeito da etnia cigana mas continuam longe deste povo… O citado documento vem alertar-nos para a necessidade de fazer-se próximo, entrar em relação que permite a comunicação. É a atitude do acolhimento do outro tal qual é.
É importante que os cristãos não dêem a ideia de que são apenas consumidores de actos religiosos e que sossegam a consciência com algumas moedas que colocam nos ofertórios das missas ou quiçá nas mãos de quem pede. Há que ir mais além… Que a vida dos cristãos seja, por actos concretos expressão do amor de Deus e que isso leva ao encontro de quem sofre, de quem está doente, de quem precisa de uma palavra amiga ou de um abraço ou simplesmente de ser ouvido. É por aqui, em meu entender, que tornaremos o mundo melhor.
Pe. Amadeu Dias Ferreira