A minha ida ao Conselho da Europa em Estraburgo foi uma mais valia.
A MINHA VIAGEM A ESTRASBURGO
A minha ida ao Conselho da Europa em Estraburgo foi uma mais valia.
Ao mudar de avião no aeroporto de Munique encarei logo com membros da comunidade cigana. Como os ciganos se conhecem à distância, entrámos em diálogo e eles perguntaram-me se eu era cigano e também me perguntaram se eu sabia falar ROMANI ou inglês. Eu disse que era Roma de Portugal. É claro que ficaram admirados por saber que havia um cigano a representar Portugal: eu como não sabia falar nenhuma língua, nem sequer o nosso Português, comunicámos por uma língua universal que é a linguagem gestual.
Ao chegar ao aeroporto de Estrasburgo tomámos todos um táxi para o hotel; foi uma viagem espectacular. No outro dia apanhámos um autocarro e dirigimo-nos para o Conselho da Europa. Conheci várias comunidades de vários países mantendo a sua cultura, a sua cidadania e a garantia da sua nacionalidade, com toda a expressão e os seus sentimentos. Com isto quero dizer que nós com a curiosidade portuguesa temos que assentar os pés no chão e saber o que queremos, não termos vergonha de mostrarmos quem somos. Isto é, se somos uma minoria étnica ou se somos Portugueses o que temos que fazer é sensibilizar as comunidades e a sociedade a resolver os nossos problemas quotidianos no nosso país. Para isso é preciso que as poucas associações não baixem os braços e continuem a evoluir, mantendo as nossas culturas e tradições, não faltando ao respeito a ninguém.
Contudo, no European Roma and Travellers Forum (ERTF) conseguimos adquirir mais conhecimentos e ideias e também conhecer os graves problemas de alguns países, como por exemplo, a Roménia, a Eslováquia e tantos outros, com a integração, a discriminação, o emprego, etc.
Também conheci ciganos com grandes capacidades, como donos de uma estação televisiva, de rádios, jornalistas, e tradutores de línguas. Todos eles com uma vasta capacidade nas diversas áreas da divulgação da comunidade cigana.
Para que nós possamos chegar ao mesmo nível em que os outros países se encontram, teremos que ter toda a confiança da comunidade cigana e da sociedade que nos rodeia no nosso dia-a-dia.
Para que isto aconteça é preciso educação, estudar e respeitar. Porque só assim conseguimos atingir os nossos objectivos. Fiquei admirado quando soube que o mínimo de línguas que as minhas colegas ciganas e ciganos dos outros países falavam eram quatro: a língua do seu país, o INGLÊS, o FRANCÊS e o ROMANI.
Nomeámos um presidente e dois vice-presidentes. Na próxima reunião do Conselho da Europa irá ser nomeado um membro da comunidade cigana para entrar no parlamento europeu. Por isso espero que as pessoas da comunidade aproveitem o mais que poderem para poderem aprender, para que se abram portas para todas as formas de sentir as opiniões.
Manuel Dinis Seabra Abreu (Presidente da Associação Cigana de Leiria – CIGLEI, e representante eleito para a 1ª Assembleia Geral do ERTF)