AÇÃO DOS JESUÍTAS COM OS CIGANOS NA EUROPA CENTRAL
O Anuário da Companhia de Jesus de 2016 tem um artigo intitulado Misión romaní en Centro-Europa da autoria de Tamás Forrai, S.J. (TF), que começa por dizer que em consequência das mudanças políticas e económicas na Europa oriental nos anos 90, muitos dos trabalhadores da indústria ficaram desempregados; muitos deles eram ciganos. Nos últimos vinte anos, a pobreza alastrou entre eles, sobretudo “por terem sido discriminados negativa e injustamente na distribuição dos apoios sociais”.
TF considera que “a integração da etnia cigana na Europa Central é um desafio crucial para os nossos países. as nossas Igrejas e, em consequência, para as províncias da Companhia de Jesus”. Agora existe partilha dos programas locais, através das redes das “províncias” dos diversos países. Jesuítas da Hungria, Roménia e Eslováquia reuniram-se “para refletir juntos e partilhar as suas melhores práticas”. Na Roménia estabeleceu-se o Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS).
Hungria Neste país, a Companhia de Jesus (SJ) estabeleceu um programa para os adultos que não terminaram a escola primária e para os que estão preparados para os estudos universitários. A finalidade é criar uma nova geração socialmente integrada, para a qual o habitual movimento migratório seja “algo do passado”. Desde 2011 existe uma Residência e Colégio Universitário Cigano em Budapeste com a finalidade de assegurar a formação média e superior de jovens ciganos que se comprometam “num diálogo social perseverante e ativo”. O Colégio Cigano Jesuíta “é um exemplo único de colaboração entre a Igreja Católica, os greco-católicos (que são a maioria religiosa na Roménia – NR) e as Igrejas Reformada e Luterana. As Igrejas decidiram trabalhar unidas neste empresa única, localizada em cinco cidades universitárias”. Os jesuítas lideram o programa; trabalham com 31 estudantes ciganos que escolheram estudar em Budapeste. O programa inclui o estudo da cultura romani e dos idiomas esquecidos do povo cigano, bem como atividades da comunidade cristã e pretende dotar os alunos com qualificações que os ajudem a ter êxito na sua graduação e nas perspetivas de emprego. Ilona, uma das primeiras estudantes do Colégio diz que o programa se pode chamar uma Escola de Possibilidades para Adultos; diz que tem 52 anos e quer aprender a ler e a escrever, já que não o pôde fazer quando era criança. Teve que tratar dos irmãos, agora tem filhos e netos a quem gostaria de “ler contos e histórias bíblicas”. Já há oito centros de educação informal na Hungria; funcionam em regime de voluntariado. “A educação é o único caminho que abre possibilidades”. “As mulheres constituem um grupo crucial e, por isso, são o nosso objetivo mais importante”. Desde 2010 já receberam formação cerca de 200 pessoas. “É o primeiro passo para se poder encontrar um trabalho, ganhar a vida e não depender unicamente do subsídio de desemprego”. Muito dos voluntários não tinham nenhuma ideia da pobreza do povo cigano. Como este tipo de trabalho com os mais pobres, por vezes, cria tensões, em algumas ocasiões por ano organizam-se encontros de formação para os voluntários. Um Programa juvenil “Espaço comum”, também com voluntários, estabeleceu-se na cidade industrial Miskolc onde o desemprego e a desintegração social são elevados. Desenvolvem-se atividades nas paróquias dirigidas pelos jesuítas, acompanhado projetos educativos para adultos, envolvendo famílias em jardinagem ecológica e colaboram com os serviços sociais e as autoridades locais.
Eslováquia O P. Peter Sabol. S.J. (PS) da Província S.J. da Eslováquia empreendeu o programa “Um bairro melhor – Esperança em Lunik IX”. Desde 2013 começou a trabalhar em Lunik IX, um subúrbio de Kosice onde vivem 4.000 ciganos. Salesianos padres e irmãs, Filhas de Maria Auxiliadora e voluntários trabalham numa igreja recente e, desde 2008 no centro pastoral anexo. PS é professor de catecismo e de inglês numa escola de ciganos. Tem grupos de jovens com quem organiza jogos, tem reuniões de aconselhamento e oração, para quem celebra a Eucaristia e a quem confessa. Também organiza trabalho manual para adultos aos Sábados. No Advento e na Quaresma há retiros e durante o verão organizam acampamentos, excursões e uma peregrinação.
Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS) na Roménia Este serviço apoia os imigrantes de outros países para a Roménia. Em 2014 houve 1.500 pedidos de asilo no país.