Ciganos: Evangelização tem que ser “maior prioridade” para a Igreja portuguesa, onde há sacerdotes com “preconceito” – Pastoral
Agência Lusa (20 Nov)
Ciganos: Evangelização tem que ser “maior prioridade” para a Igreja portuguesa, onde há sacerdotes com “preconceito” – Pastoral
Frei Francisco Sales Diniz (FSD), Director da ONPC, em declarações à Agência Lusa, afirma que “a evangelização dos ciganos tem que ser uma maior prioridade para a Igreja portuguesa”, que “tem que olhar para os ciganos como uma parte do povo de Deus”. A Igreja católica portuguesa “está aberta” aos ciganos, mas há “pessoas dentro da Igreja, entre essas englobam-se alguns sacerdotes e, particularmente, a comunidade cristã, que têm algum preconceito contra os ciganos e não vivem a abertura própria de quem é cristão”.
“É preciso trabalhar dentro da Igreja para tentar desmontar os preconceitos e abrir o coração dos cristãos e de alguns sacerdotes” para “acolher os ciganos na Igreja como qualquer outra pessoa”, defendeu FSD.
O Director da ONPC defendeu “um trabalho de inclusão, promovendo os ciganos dentro da Igreja, para que possam aceder também aos ministérios e aos serviços da Igreja”. E recordou que “em muitos países da Europa existem muitos sacerdotes, religiosos e religiosas, pessoas que estão integradas na Igreja, que são de etnia cigana”.
A Igreja portuguesa tem feito “um excelente trabalho de apoio sócio-caritativo” junto dos ciganos, mas “falta trabalho de evangelização, de abertura da Igreja ao acolhimento dos ciganos, promovendo a cultura cigana dentro dos encontros da liturgia católica”, afirmou FSD, que reconheceu que “não é fácil, porque é preciso desmontar preconceitos e estereótipos face aos ciganos, que estão fortemente enraizados na sociedade e nos cristãos”. Para uma “maior inclusão” dos ciganos é preciso “levar a sociedade e a Igreja a acolher os ciganos como pessoas com direitos, que não lhes têm sido reconhecidos”.
FSD recorda que a livre circulação de cidadãos na União Europeia “cria grandes movimentos migratórios dentro da comunidade cigana, o que está a criar problemas bastante complicados em toda a Europa”. Assim, defende que “tem de haver um trabalho de todas as instituições, nacionais e europeias, da sociedade civil e das igrejas, para apoiar as comunidades ciganas, sem esquecer que a realidade cigana é bastante complexa”.