AINDA O CCIT: GRUPOS DE TRABALHO
Do relato de Gabor Gyorgyovich da Hungria para o Nevi Yag (Fogo Novo em Romani – revista do CCIT de Julho) extraímos o seguinte texto relativo ao trabalho dos Grupos de trabalho do Encontro do CCIT em Fátima e alguns outros comentários.
O encontro quebrou um novo recorde: juntou 148 pessoas vindas de 19 países da Europa e do Brasil. Logicamente, a participação portuguesa foi a mais forte: 40 pessoas, seguida pela húngara (18), a italiana (14) e a francesa (10). Cabe destacar também a importante participação de ciganos de vários países!
A troca de ideias e a partilha das experiências estão sempre no coração dos nossos encontros. A organização dos grupos e do enunciado das perguntas têm uma importância específica. Desta vez, os trabalhos ocorreram em 8 grupos, como de costume, muito “internacionais”. Foi pedido aos participantes que fizessem um trabalho de reflexão em dois tempos. Primeiro, uma breve apresentação das formas de discriminação dos Ciganos em sua região e da evolução deste fenómeno do ponto de vista da sociedade e da Igreja. Isto a partir das três razões da exclusão social: a recusa da diferença, o incómodo e a censura moral. Depois, foi-lhes pedido que abordassem a questão seguinte: “como integrar a “Boa nova” de uma forma viva, actual e concreta na nossa proximidade humana e pastoral com os Ciganos”. O método proposto para essas reflexões aprofundadas foi a fórmula “ver, julgar, atuar”. Cada grupo recebeu a tarefa de elaborar uma pergunta ou consideração para a mesa redonda em sessão plenária do Domingo.
A mesa redonda respondeu às perguntas seguintes, feitas pelos grupos:
Como passar da proclamação do Evangelho à realidade da vida? É possível falar na Igreja, tem-se o direito de se exprimir? Na Igreja universal e na sociedade globalizante, o que significa o respeito pelas minorias? A experiência das relações com os Ciganos incentiva a sonhar com uma Igreja e uma sociedade novas?
Alguns elementos de resposta:
o que é importante é testemunhar a presença de Cristo, a esperança do Evangelho. É preciso adaptar-se incessantemente à realidade da vida que muda. Existem muitas formas novas de comunicação; a livre circulação dos homens e das ideias suscitam novos desafios. É claro que a proximidade com os Ciganos é um enriquecimento mas, ao mesmo tempo, é preciso admitir que, às vezes, as dificuldades superam as nossas forças, os nossos limites, os nossos costumes. Cada um de nós é convidado a superar essas dificuldades, esses desafios.
A Igreja aceita o direito de expressão: existe uma evolução e, depois do Concílio, afirmam-se posições. A Igreja declarou ser “a casa dos Ciganos”. Na verdade, quem pode ser a sua casa é a Igreja local se ela aceitar enriquecer-se com a sua voz. O que é importante é a comunidade espiritual que deve nascer de um diálogo incessante.
O deserto está apagado. Depois vêm as chuvas, os ventos a soprar e o deserto vai florescer. É uma solidariedade real que deve nascer com os rejeitados, no seguimento da Encarnação de Cristo. A Igreja perfeita, a sociedade perfeita não existem. Mas tem que se promover incessantemente o que a Encarnação reconhece: a dignidade dos mais fracos; e tem que se combater o que a insulta: o racismo e o anti-ciganismo. O amor de Deus, que não pára de “lavrar”, é a condição para o progresso social. É nosso dever mobilizar a sociedade civil, que tem que evoluir para um mundo mais justo, sem crueldades, sem desigualdades sociais.
DoProf. Eugénio da Fonseca, Presidente da Cáritas, que participou no CCIT em Fátima, recebemos as seguintes palavras:
Caro Dr. Francisco Monteiro,
Agradeço a sua gentileza ao partilhar connosco o relato, tão pormenorizado, do CCIT que dá nota fidedigna do que aconteceu durante o encontro.
É óbvio que nem tudo pode ser descrito e que foi de relevante importância. Refiro o ambiente cordial e os sentimentos partilhados que traduziram bem a universalidade da Igreja.
Que os frutos possam ser colhidos pelos semeadores. Se não forem todos, que as sementes continuem a germinar.
Cumprimentos fraternos para toda a equipa nacional.
Eugénio José da Cruz Fonseca
Presidente da Cáritas Portuguesa