Alfa y Omega (22 set) – PASTORAL

Da Irmã Sylvie, do Mosteiro de Nª Sª do Rosário do Vale Côvo, Couço* (Ribatejo – Coruche, Arquidiocese de Évora), das Monjas de Belém (da Assunção da Virgem e de S. Bruno) que vivem perto de uma comunidade cigana com quem se relacionam “muito bem”, recebemos este artigo revelador de como os ciganos, uma vez evangelizados, se podem tornar evangelizadores graças à ação de um pároco. Publicamos excertos do artigo.

O Cristo que cativou os ciganos de Vera

Em menos de dois anos, no bairro cigano de Vera (Almeria**) há duas paróquias novas e uma irmandade, graças ao entusiasmo dos seus habitantes e ao encorajamento do pároco, Carlos Maria Fortes (CF), dedicado à pastoral cigana.

 

“Há precisamente um ano que os ciganos de Vera puderam ver o seu desejo cumprido: ter uma paróquia no bairro e formar uma irmandade centrada na imagem do Cristo Preso e na Virgem da Pureza.” Na segunda aldeia da Andaluzia com mais população cigana, muitos participavam com fervor na Eucaristia dominical e na Semana Santa, mas ambicionavam participar de maneira mais ativa. O pároco jovem que chegou há quatro anos à Paróquia da Nª Sª da Encarnação de Vera dedicou-se à população cigana “porque não havia uma pastoral concreta com eles e são pessoas dedicadas que precisam que alguém lhes dê a mão”, na sua expressão. CF considera “uma sorte” que o atual irmão responsável da confraria tivesse vindo ter com ele a pedir-lhe “que trabalhássemos com eles que eram um povo religioso”. A primeira coisa que CF fez foi inclui-los no conselho pastoral da paróquia. “O povo cigano precisava de ser reconhecido pela sua Igreja, e assim o fizemos. Logo viram que tinham as portas abertas e começaram a organizar Missas em flamenco”.  Isto fez que cada vez mais ciganos viessem à paróquia, “mas estávamos muito longe de onde eles vivem”. CF começou à procura e descobriu um edifício que pertencia à Diocese. Este edifício passou a ser a sede da paróquia de Stª Maria dos Povos. “Assim a quis consagrar D. Adolfo Gonzáles Montes, bispo de Almeria, pela peregrinação nómada dos ciganos ao longo da história. O bispo, diz CF, ‘esteve empenhadíssimo. Tanto que parte da ornamentação da nova igreja ofereceu-a ele’. O carinho recíproco é evidente: ‘Numa das últimas visitas do bispo deram-lhe – e outro a mim – um cartão de membros da comunidade cigana que ambos guardamos com muito orgulho’. Os ciganos estão entusiasmados com a sua paróquia em cujo âmbito nasceu também a Irmandade de Santo Antão”.                                 “A igreja dos ciganos ilumina Vera e o concelho. De facto, muitos estão de novo a aproximar-se da paróquia ou a voltar à fé católica – alguns que tinham ido para a Igreja evangélica”. A igreja enche-se por completo.  Um cigano afirma: “Estamos ansiosos por ir no sábado à Missa. É tão bonita e alegre (com o coro flamenco) que inclusivamente vizinhos de outros bairros se vão aproximando aos poucos e poucos”. CF disse nas Jornadas da Pastoral Cigana  organizadas pela Conferência Episcopal Espanhola de 15 a 17 de setembro em Madrid que “o trabalho social que estamos a fazer é para que haja uma integração entre ciganos e paios, para que as divergências – que sempre existiram – sejam menos visíveis”. E dá o exemplo de uma feira organizada para recolher fundos para a Semana Santa em que vieram paios provar a comida caseira feita pelas ciganas. CF diz: “um conselheiro dizia-me que levam 20 anos a fazer protocolos de integração entre ambas as populações e a paróquia conseguiu-o em dois anos. São a Beata Emília e o Pelé que intercedem por nós”.

 

* www.mosteironsrosario.org

** NR: terra da Beata Emília.