ANTICIGANISMO A ERGO (European Roma Grassroots Organizations Network – Rede de Organizações de Base de Ciganos Europeus) em conjunto com a RomaReact (uma plataforma multimedia para a inclusão dos ciganos) e outras organizações, formaram uma “Aliança contra o Anticiganismo” que publicou, no último Fórum da FRA (Agência Europeia dos Direitos Fundamentais) em junho passado (ver Caravana nº 81), um documento de referência (dr) sobre o anticiganismo. O dr começa por definir anticiganismo não só como atitudes anticiganos, ou a expressão de estereótipos negativos no domínio público, ou discursos de ódio, mas também como manifestações implícitas ou escondidas: anticiganismo não é apenas o que se diz e o que se faz, mas também o que não se faz.
O anticiganismo não é um “problema das minorias”, mas um fenómeno das nossas sociedades e de como a sociedade maioritária encara e trata os ciganos. Para combater o anticiganismo é necessário ouvir as suas vítimas e também os silêncios que ele provoca. O anticiganismo é transversal aos problemas de exclusão social dos ciganos: habitação, educação, saúde e emprego. “O anticiganismo não está apenas difundido, mas está também profundamente enraizado nas atitudes sociais e culturais e na prática institucional. Isto torna o desafio de o tratar mais urgente e mais difícil. O anticiganismo é como um contínuo vento contrário.”
“O termo ‘anticiganismo’ apareceu primeiro na Rússia no final da década de 1920; a sua utilização atual teve origem em debates académicos nos anos 70 e 80 do século passado. Com paralelismos importantes com o termo antisemitismo, embora com alguma controvérsia, o termo começou a entrar no dicionário institucional no início dos anos 2000. A sua adoção gradual assinala o reconhecimento de que os ciganos e grupos afins são vítimas de uma forma específica de racismo. Este reconhecimento é um passo importante na luta por direitos iguais.” O Parlamento Europeu adotou o termo anticiganismo pela primeira vez numa resolução de 2005. A OSCE, a FRA e o Conselho da Europa foram pioneiros em aprofundar as consequências do anticiganismo e em colocá-lo nas agendas dos decisores. Em 2015 a Comissão Europeia referiu significativamente o termo, no seu relatório sobre a implementação das ENICs.
A definição proposta no dr é: “Anticiganismo é um complexo persistente de racismo construído historicamente, contra grupos sociais identificados sob o estigma de “cigano” ou outros termos relacionados e inclui:
1. uma perceção e descrição homogeneizadora e individualizante destes grupos;
2. a atribuição de características específicas a eles;
3. mediante estruturas sociais discriminadoras e práticas violentas que surgem face a estes antecedentes, que têm um efeito degradante e ostracizante e que reproduz desvantagens estruturais.” Ver mais em www.antigypsyism.eu