Diário de Notícias (1 fev) – DIVERSOS
Obituário: Ceija Stojka (1933 – 2013)
Artista cigana que sobreviveu aos campos de concentração
Nascida na Áustria, numa família cigana, foi deportada pelos nazis e viveu em três campos: Auschwitz, Ravensbrück e Bergen-Belsen. Uma experiência que marcou a sua obra como escritora e pintora
Ceija Stojka (CS) faleceu no dia 28 de janeiro, num hospital de Viena. A sua obra é uma referência sobre as perseguições do regime nazi aos ciganos.
CS nasceu em 1933, na Áustria, foi deportada pelos nazis e passou a sua infância nos campos de extermínio do sul da Polónia, no Nordeste e no Norte da Alemanha.
Como sobrevivente, CS contou a sua experiência e vida na obra publicada em 1988 Nós vivemos na clandestinidade – Recordações de um Roma-cigano (tradução literal), tendo publicado depois Viajando por esse mundo, em 1992. “Tomei a caneta para escrever, tinha necessidade de me abrir e de gritar”, afirmou CS em 2004, no Museu Judaico em Viena, sobre a obra e a memória dos anos de ocupação nazi na Europa.
CS não se contentou em escrever sobre o destino da minoria cigana durante o regime nazi. É também autora de vários quadros, entre eles, Trevas de Bergen-Belsen, que descreve a vida no interior desse campo de concentração.
Ao longo da sua carreira foi distinguida com vários prémios, entre os quais se destaca o prémio Bruno-Kreisky para Livro Político em 1993. A ministra da cultura austríaca, Cláudia Schmied, afirmou que CS “estava convencida de que a vida pacífica em comunidade não pode existir sem um diálogo constante e um conhecimento da história”.