Badaladas (Semanário da Paróquia de São Pedro e Santiago de Torres Vedras) (5 jun) – DIVERSOS

Grupo Ativo Comunitário dinamiza ações de solidariedade

Comunidade cigana doa alimentos ao Centro Social Paroquial de Torres Vedras

 

A recolha de alimentos foi uma iniciativa do Grupo Ativo Comunitário (GAC) de Torres Vedras, uma associação constituída recentemente no seio da comunidade cigana através do programa europeu Romed2, em pareceria com a Igreja Evangélica de Filadélfia torriense, sediada no Bairro Boavista-Olheiros.

 

O Romed2 é promovido pelo Conselho Europa e está a ser levado a cabo em 10 países europeus (Bélgica, Bósnia-Herzegovina, Bulgária, Grécia, Hungria, Itália, Portugal, Eslováquia, Macedónia e Roménia); em cada um desses países foram selecionados cinco a seis municípios, em média, para a respetiva implementação. Em Portugal, além do município de Torres Vedras, foram escolhidos os de Beja, Coimbra, Abrantes, Figueira da Foz, Barcelos, Seixal, Elvas e Moura.

No âmbito deste programa são formados grupos de ação local, sendo que o de Torres Vedras é composto atualmente por 15 cidadãos da comunidade cigana torriense (10 homens e 5 mulheres, entre os 16 e os 40 anos).

Os elementos desses grupos são mobilizados para a participação cívica e o diálogo com as instituições públicas, envolvendo-se progressivamente no processo democrático do seu concelho, que lhes permite transmitir às autoridades locais as prioridades a que consideram mais urgente dar resposta, tendo em conta os meios de que as autoridades locais dispõem, bem como os seus direitos e deveres como cidadãos.

O GAC de Torres Vedras tem promovido a criação de contextos de partilha e conduzido à melhoria das relações entre as comunidades ciganas e a comunidade maioritária.

A recolha de alimentos decorreu junto de várias famílias de etnia cigana,  durante aproximadamente um mês. O GAC optou por entregar os alimentos ao Centro Social Paroquial de Torres Vedras, devido à sua intervenção com diferentes públicos-alvo (crianças, jovens, adultos, seniores) e o objetivo é que sejam distribuídos a famílias carenciadas que não sejam de etnia cigana, “como gesto de solidariedade da comunidade cigana para com a sociedade maioritária”.

Feliciano Perulas, pastor da Igreja Evangélica de Filadélfia, anunciou que o GAC tem previsto realizar outras iniciativas semelhantes de cariz solidário ainda este ano e acrescentou que “o GAC está aberto à participação de todas as pessoas que queiram fazer parte do grupo, quer da comunidade cigana quer da comunidade maioritária, pois a sua finalidade é o bem comum”.

“Muito orgulhosa” por este ato da comunidade cigana, disse estar Ana Umbelino, vereadora da ação social da Câmara Municipal, pela “importância do mesmo na desconstrução de estereótipos e preconceitos relacionados com a comunidade”.

O diácono Joaquim Cruz, responsável pelo Centro Social Paroquial frisou a importância do diálogo inter-religioso, agradeceu os alimentos em nome dos que os vão receber e recordou que sempre houve da parte da instituição uma preocupação em estar próxima e atenta às necessidades da comunidade cigana que, assim demonstrou que também sabe ser generosa.

A entrega de bens foi acompanhada por Bruno Gonçalves (delegado nacional do projeto Romed2) e Olga Mariano (presidente da Associação Letras Nómadas).